Mostrando postagens com marcador eu aprendi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eu aprendi. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

meus vinte (trinta) e poucos anos

"... nem por você, nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos
Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos..."

Acordei com esse trecho da música "Vinte e Poucos Anos" na cabeça. 
Não sei explicar o porquê, ela simplesmente fez meus olhos abrirem pela manhã.
O curioso é que eu nunca a cantei...nem com o Fábio Júnior, nem com o Raimundos e menos ainda com o Fábio Júnior e o Fiuk. (Sim, fui procurar de quem era a música para poder escrever... a pós-graduação tem me ensinado bem, e procurar fontes e fatos fazem muito bem para qualquer reflexão).

Resolvi, então, ler a letra. 
Resolvi, então, ouvir a música inteira.
E ela fala se um sentimento de profunda clareza de planos, de sonhos, de expectativas.
E o trecho que me despertou é o refrão: nem por você, nem por ninguém.
E eu fiquei pensando... 

Ao mesmo tempo em que admiro esse tipo de pensamento, no sentido de que é preciso saber quais sonhos nos movem. E que legal ter essa clareza aos vinte e poucos anos.
Outra música, um outro trecho ecoa lá no fundo dos meus pensamentos... É preciso saber viver (cantada pelo Titãs e pelo Roberto Carlos, em coautoria com o Erasmo Carlos - ah! a aplicação do pensamento científico é uma coisa linda...rsrs... também fui procurar).

Enquanto uma é quase um hino de guerra: não abro mão de nada do que eu sonho para mim por ninguém. A outra me parece um hino de paz: "é preciso ter cuidado para mais tarde não sofrer...".
E isso me fez pensar na maternidade. Na minha família. No movimento que eu tenho observado no mundo.
Nós pais temos protegido tanto os nossos filhos. E ao mesmo tempo, temos sido tão egoístas.
Nós temos ensinado a eles a obstinação, a imaturidade dos vinte e poucos anos.
E pouco temos os lembrado da necessidade de saber viver.
Mas talvez a gente não tenha alcançado essa sabedoria ainda.

Eu tenho sonhos para mim. Muitos sonhos.
Eu sei que o papai tem sonhos para ele. Muitos que eu desconheço.
A pequena também já demostra ter planos e sonhos. E ela está apaixonada por descobri-los.
E eu não quero que a gente diga um para o outro: nem por você, nem por ninguém.
Eu quero que a gente seja capaz de dizer: vamos juntos?
Na tentativa de ir juntos, a rota não será uma linha reta.
Serão necessárias muitas curvas, muitas pedras no caminho.
Mas os meus trinta e poucos anos têm me ensinado que é melhor a curva acompanhada de quem se ama, do que a linha reta a sós.

A música do Fábio Júnior é real e tem seu lado positivo.
É bom que se tenha clareza e nitidez dos seus planos - aos vinte e poucos anos.
A música do Roberto e do Erasmo Carlos, também é real e tem seu lado admirável
É bom saber viver, em qualquer momento de sua história.
E como acordei musical, agora com meus trinta e poucos anos, pensando na minha história, na minha relação com a minha pequena, com meu marido e com as pessoas que eu amo.
Desejo de coração ter a maturidade de caminhar junto das pessoas que importam para mim, sendo capaz de "amar mais, chorar mais, ver o Sol nascer, arriscar mais, errar mais, fazer o que eu devo fazer, aceitar as pessoas como ela são, tendo a certeza de que cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração..." que eu também saiba "complicar menos, ver o Sol se pôr, me importar menos com problemas pequenos e morrer de amor", tal como sugere Epitáfio de Sérgio Britto, cantada pelo Titãs. 

PS: Só não vai dar para ecoar o trabalhar menos, porque por hora, tenho trinta e poucos anos, com filha para criar, sonhos para realizar, e vida para viver. O trabalhar menos, a gente deixa para depois. E tomara que se eu souber viver, o meu trabalho não irá roubar a alegria dos nossos dias.

PS de novo: se quiser ouvir as músicas e/ou ler as letras, é só clicar no nome da canção. Deixei o link para cada uma delas.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

tenha fé

Você tem fé?
A gente não precisa ter uma fé igual.
Eu não tenho a pretensão de iniciar um debate teológico acerca das religiões, modelos e práticas.
Estou bem longe disso.

Eu cresci em uma família que professa uma fé.
Eu me casei com alguém que professa a mesma fé.
E temos, juntos, mantido a nossa família sob a mesma fé.
Nós acreditamos em um Deus que se relaciona pessoalmente com a gente, que se importa conosco.
Mas existe algo bastante curioso na minha fé.
Depois que eu cresci, a minha fé começou a ocupar os lugares que a minha razão é limitada para compreender por meio da lógica e da ciência.
Gosto de pensar, pela fé, que existe Alguém maior que cuida de todos esses detalhes incompreensíveis.
Acontece que eu cresci e perdi a fé inocente.
Minha fé existe(ia) - somente - para coisas importantes.

Até que na sexta passada - dia de brinquedo na escola - a pequena, além do brinquedo, levou uma bolsinha de plástico, cheia de cacarecos.
Ela ia dormir na casa da vovó e do vovô, e como você pode imaginar, a mochila foi abarrotada de coisas. Lá tinha o livro da biblioteca, a pasta com a lição de casa, a lancheira, o agasalho de moletom, os brinquedos e a tal bolsinha, cujo propósito era levar para brincar na casa dos avós.
E a bolsinha cheia de cacarecos valiosos (para ela): sumiu.
Recebi uma mensagem da minha mãe dizendo que o item havia sumido, que a pequena tinha chorado, mas que elas oraram juntas pedindo que a bolsinha fosse encontrada.
Com toda a sinceridade do meu coração, a única coisa que pensei foi: que pena, mas ela vai aprender a tomar mais cuidado com as coisas a partir de agora. Minha mãe acolheu a tristeza da pequena, orando.
Está tudo bem, não é nada demais.
Passou o final de semana, e a pequena insistiu na oração.
Fez o mesmo pedido no sábado, no domingo.
E hoje, ela foi para a escola determinada a ir até o achados e perdidos e verificar se sua bolsinha com cacarecos valiosos estava por lá.
Segunda de manhã é tempo de correria por aqui (por aí também, eu sei), e não pensei sobre a situação da bolsinha.
No caminho para a escola, eu olhei em um caminhão e no pára-choque estava escrito "Não perca a fé".
Eu achei curioso, porque imaginei que estaria escrito "não perca a esperança".
Mas segui meu caminho, sem nenhuma inquietação.
Cheguei na escola.
A pequena entrou no carro com um sorriso leve, tranquilo.
Perguntei como tinha sido o dia.
Ela sorriu e disse: foi bom, muito bom.
E me lembrei da bolsinha, e perguntei, meio com medo: - Você conseguiu ir ao achados e perdidos?
E ela disse que sim. E mais: - Mamãe, minha bolsinha estava lá, com todos os meus brinquedinhos dentro.
Os sinais estavam me avisando, mas eu não tinha reparado.
A minha fé "madura", científica e lógica, não me permitiu ver que a fé da minha pequena está em pleno desenvolvimento.
E que uma bolsinha cheia de cacarecos, pode até não ser importante para mim.
Mas para ela, e com a fé que ela tem, é importante, sim.

Como eu disse no começo, não precisamos ter a mesma fé.
Nem eu e você (que está lendo), nem eu e a pequena (que está crescendo).
A pequena não precisa ter a minha fé "madura", científica e lógica.
Mas eu posso ter mais empatia, e desenvolver em mim, uma fé mais "infantil" que se importe com aquilo que é importante para ela.
Como eu também disse no começo, minha intensão não é o debate teológico, mas a reflexão de que a minha fé precisa saber se colocar no lugar do outro, seja esse outro a minha filha, o meu marido, a minha família, os meus amigos, ou qualquer outra pessoa.
E que bom que a bolsinha de cacarecos se perdeu.
E que bom que o caminhão avisou.
E que bom que a minha ficha caiu.
E por isso: tenha fé.


.



quinta-feira, 25 de agosto de 2016

eu não vou te proteger da vida

Em julho desse ano nós fizemos uma viagem que durou quase 15 dias.
Foi a nossa primeira viagem longa em família.
E digo isso literalmente!
Não foi a primeira viagem longa desde que a pequena nasceu.
Foi a primeira viagem, mesmo.
Em 10 anos de casamento.
17 anos de relacionamento.
As últimas férias (leia-se uma semana de folga) do papai tinham acontecido em 2008.
Então, foram as primeiras férias em 8 anos.
Veja que evento importante para nossa pequena família:
15 dias sem nossa casa.
15 dias sem nosso carro.
15 dias sem nossa cama.
15 dias sem nossa TV, sem nossos livros, sem nossos brinquedos.
15 dias sem nossa zona de conforto.
Zona de conforto essa que não é perfeita, mas que é o nosso cantinho.

Nesses 15 dias nós andamos muito a pé, de ônibus e de metrô.
Nós carregamos sacolas de supermercado por quadras e quadras.
Nós comemos pão com ovo no jantar, quase todos os dias.
E preciso dizer: sair da nossa zona de conforto foi uma experiência muito especial.
Eu cresci com uma zona de conforto do tipo essencial: casa, comida e roupa lavada (e não está excelente?).
Para passear íamos de ônibus para lá e para cá.
E para fazer coisa importante, íamos de ônibus também.
Ir no mercadinho a pé, era o ápice da conquista do direito de ir e vir.
E ser responsável o suficiente para os pais confiarem o dinheiro do pão?
Uau! Era o suprassumo de sentir-se adulta!

A pequena nasceu numa época mais confortável da nossa (do papai e da minha) vida.
Ela sempre andou de carro para ir aos lugares.
Ela já tinha andado de ônibus em passeios escolares.
Mas eram ônibus leito, ou micro ônibus, nada de ônibus de verdade, que falta assento. Que tem que levantar para a senhorinha ou senhorzinho se sentarem. Que tem que segurar bem para não cair.
Ela já tinha feito caminhadas dentro de parques, de zoológicos, mas nunca caminhadas de verdade, daquelas que a gente fica contando as quadras para chegar perto de um banco para descansar um minutinho antes de voltar a andar.
E a pequena reclamou a falta da zona de conforto.
Ela dizia que queria voltar para casa.
Que queria sua cama.
Que queria seu cantinho.
Que queria poder ter um carro para sair.

E eu fiquei pensando na nossa vida.
Nas nossas distâncias.
Na nossa rotina.

Em casa, contando meu trabalho, escola dela, e atividades cotidianas, nós percorremos mais de 80 km todos os dias.
Cogitar a possibilidade de andar a mesma quilometragem a pé, ou de ônibus, é impossível hoje.
Mas a nossa zona de conforto pode ser mais desconfortável em outros aspectos.
Durante as nossas férias, eu relembrei minha infância.
E agradeci por não ter sido educada com uma zona de conforto tão confortável.
Eu percebi que o desconforto faz parte de crescer.
Faz parte do processo de se tornar independente.
De descobrir o nosso caminho.
E me questionei se eu não tenho protegido a pequena de viver.
Eu não quero que ela cresça sem saber amarrar o sapato.
Sem saber andar com as próprias pernas.
Sem saber que o mundo é maior do que o que eu e o papai apresentamos a ela.
Sem saber que a história dela, ela escreverá com a própria mão.

E por isso, filhota, se você estiver lendo o blog da mamãe, eu quero te prometer que eu não vou te proteger da vida.
Algumas vezes você ficará (se já não ficou) brava por eu encolher a sua zona de conforto.
Mas saiba que por mais que eu recolha minha mão para que você faça sozinha, eu estou exatamente ao seu lado.
E sempre estarei.
Te amo ao ponto de não te proteger daquilo que você não precisa de proteção.
Te amo ao ponto de te deixar viver!
Te amo ao ponto de te deixar crescer!




terça-feira, 23 de agosto de 2016

eu me apaixonei

Pois é, "eu me apaixonei" não era bem a frase que eu esperava ouvir da minha filha de 6 anos. 
Mas ela falou.
E eu ouvi.

A conversa aconteceu no caminho para uma festinha de aniversário.
E quero pedir que você imagine a cena.
Era noite.
Estávamos no carro, eu dirigindo, ela na cadeirinha atrás, exatamente atrás de mim.
Nosso contato visual se limitava ao retrovisor.
O papai estava em uma atividade e não pôde nos acompanhar, por isso, naquele instante, éramos ela e eu. 
Eu e ela.
O Spotify estava tocando uma playlist infantil.
Nada sugeria o tema da conversa que desenrolou a seguir:

Pequena: Mamãe, queria te contar uma coisa.
Eu: Claro, meu amor. Pode falar.
Pequena: Eu me apaixonei por um menino ontem.
Eu (com a maior voz de "estamos falando sobre o clima"): Sério? Como você descobriu que estava apaixonada?
Pequena: É que eu achei ele tãããããão lindo.
Eu: E como ele se chama?
Pequena: Ele se chama Luca, conheci no aniversário que fomos ontem. Naquele brinquedo de escorregar.
Eu: Entendi. E porque você acha que está apaixonada?
Pequena: Ah, porque eu fiquei encantada com o jeito dele. Sabe, mamãe, ele foi muito gentil comigo. Todas as vezes que a gente ia subir no brinquedo, ele olhava para mim e dizia: pode ir primeiro.
Eu: Puxa, filha, que legal! Faz tempo que você não encontra um amigo gentil. Alguns amigos na escola gostam de brincar de te assustar. Que bom que você conheceu o Luca ontem.
Pequena: É... eu fiquei encantada!
Eu: Concordo. E eu acho que você conseguiu perceber o sentimento direitinho: você ficou encantada.
Pequena: Mamãe.
Eu: Oi?
Pequena: Sabe o que mais?
Eu: O que?
Pequena: Ele tem Jesus no coração.
Eu: Que legal, eu também gostaria de ter conhecido o Luca, ele parece ser um garoto incrível.
Pequena: Quem sabe se a gente se encontrar quando eu for bem mais velha e já trabalhar, a gente não pode ser tão amigo que vire namorado, e depois se case. Igual a você e ao papai?
Eu: Quem sabe? Mas você não precisa se preocupar com isso. Tudo acontece no tempo certinho, e você pode aproveitar ser criança por bastante tempo.
Pequena: Mamãe, você é minha melhor amiga!
Eu: Você também é a minha melhor amiga, filha. Te amo!
Pequena: Também te amo!

Nós chegamos ao aniversário, ela saiu do carro com a maior cara de quem tem 6 anos de idade. 
Saiu correndo, dizendo que o aniversário estava incrível e que ela ama demais o amigo da festa.
E eu sai do carro catando cavaco. 
Tentado avaliar se tinha me portado bem naquela conversa, se tinha acolhido seu sentimento infantil, colocando o limite necessário, sem que ela se sentisse constrangida.
Fiquei pensando se eu permiti que ela continuasse criança, sem pressa de crescer. 
Mas essa pressa não é própria da infância?
Depois descansei.
E vou contar porque:
Ela se encantou por alguém que lhe tratou bem, com gentileza. Ela reconheceu nele características de um amiguinho de Deus (e pais do Luca, eu não os conheço, mas parabéns pelo filhote!). Ela colocou a ideia em perspectiva - quando eu crescer e estiver trabalhando, ela mostrou que admira o casamento dos pais. E num piscar de olhos, a conversa tinha acabado, e ela... bom, ela continuou sendo a criança incrível de sempre.
E eu aprendi que a gente pode sonhar com coisas importantes desde quando a gente é pequena.
E eu descobri que por enquanto ela quer dividir os sonhos comigo.





terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

dentes moles

Você se lembra da sensação incrível que era ter um dente mole?
Daquele dente bem mole, balançando para frente e para trás na sua boca?
Daquela primeira evidência real de que você estava deixando para trás a vida de ser pequeno, e de começar a se transformar em um ser grande?
Nossa... eu tenho essa lembrança muito vívida em mim.
Eu quase não me aguentei de tanta alegria.
Era quase um "Toma essa, mundo! Tô grande!".
E eu cresci.
E eu não parei de crescer.
Eu fui com tudo, com toda a intensidade.
Fiz tudo com essa garra: "Agora, toma essa, mundo: já caíram todos os dentes e mais: cresceram todos os permanentes! Rá!". E depois: "Toma essa, porque agora eu sou mocinha. Rá!". E depois: "Toma essa, porque me formei.". E depois: "Já posso votar!"... "Já posso dirigir!"... "Já posso fazer faculdade!"... "Já posso me casar!"... "Já posso ser mãe!"
Espera.
Entre o meu primeiro dente mole e hoje, passaram-se 27 anos.
Mas eu sinto que foi como uma piscada de olhos.
Fechei os olhos com 5 anos, e abri com 32.
E quando eu abri, era a minha filha que estava com o dente mole.
E não estou pronta para vê-la crescer com a mesma obstinação que eu cresci.
Queria ela pequeninha.
Quero ela grande.
Quero ela para sempre.
Entende a contradição?
E mais importante, com ela, eu não quero mais piscar.
Quero estar de olhos bem abertos, pois não quero perder nenhum detalhe.
O tempo é traiçoeiro e deselegante, e como ele não respeitará a minha necessidade de congelar os momentos. Eu quero ser mais esperta que ele.
Para eu poder dizer: Toma essa, tempo! Eu vi e vivi tudo! Rá!
E a pequena puxou a mim.
Ela não tem um dente mole.
Ela tem 4.
Toma essa, mundo!
A minha pequena está crescendo.
Rá!



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

e não é que é lindo?

Preciso confessar que sou péssima para me adaptar à mudanças.
Não é que eu tenha "apenas" uma dificuldade. 
É que é super-mega-duper-blaster difícil para mim.
Por isso eu tendo a ser o mais estável possível.
Se fosse necessário fazer alguma comparação entre mim e algum outro ser vivo, eu diria que me assemelho à uma árvore.
A dificuldade não diz respeito apenas a mim, ou seja, a mudar a mim mesma; mas também se refere à mudança dos outros.
Respeito grandemente os processos pelos quais as pessoas passam - e que eu mesma já passei e passo; mas mudanças bruscas, que demandam muita flexibilidade emocional, física e de padrões, normalmente são estressantes, potencialmente depressoras, e agravam exponencialmente minha ansiedade.
Por exemplo, mesmo depois de dois anos morando num novo endereço, não consigo me lembrar do número do CEP. Ou mesmo, do número da casa. Tenho dificuldade em conviver com pessoas que mudam de opinião muito rápido, do tipo hoje: "te amo", amanhã: "te desprezo".
Mas a maternidade... ah, a maternidade... ela exige de mim uma flexibilidade que eu nunca tive, mas que me disponho a exercitar.
Desde o primeiro momento, cada vez que eu achei que tinha aprendido a jogar, a pequena veio e espalhou as peças do jogo. 
Quando eu começo a curtir uma mudança, lá vem outra.
Essa semana, ela estava assistindo televisão, e começou a passar uma música. 
Você conhece, sabe aquela: "Meu lanchinho, meu lanchinho: vou comer! Vou comer!"... Então. 
Eu achei que, como sempre, ela cantaria junto.
Só que ela me mostrou que ela mudou, de novo!
A resposta foi: 
- Nossa, mamãe, me deu uma vergonha essa música.
Hoje, nós estávamos voltando da escola, e eu perguntei se ela havia encontrado a professora do ano passado. Ela sempre amou reencontrar as professoras dos anos anteriores, mas esse ano:
- Não, né mamãe!? A professora está com os bebês.
Eu assustei, porque a professora do ano passado sempre fica com a última série do infantil. E disse:
- Nossa! Por que será que a sua professora do ano passado está com os bebês?
E ela:
- Não, mamãe! Ela continua no mesmo infantil. Eu é que não sou mais infantil.
Meu coração partiu. 
Minha ansiedade aumentou. Comi a tarde inteira.
E eu me peguei revendo fotos de quando ela era apenas um bebê, quando ela era o meu pacotinho cheiroso. 
E fiquei tentando encontrar nessa menina moça aquela pessoinha que eu conheci.
A amo de todas as formas, bebê, infantil, não mais infantil e grande.
Meu amor, diferente de mim, tem flexibilidade o bastante para isso.
Uma hora eu aprendo com ele.
Mas voltando a minha comparação com a árvore. 
Mesmo uma árvore sofre mudanças. 
Ela troca as folhas. Ela dá flores e frutos. Ela abriga passarinhos e outros animais. E depois faz tudo isso, de novo e de novo.
Talvez eu, como árvore-mãe, estou fazendo florescer e dando frutos. 
As flores e frutos, por sua vez, nascem pequenininhos, crescem, "descem" da árvore e vão cultivar suas raízes em outro lugar. 
Acho que é isso que estou vivendo. 
E que a pequena também está.
Em algumas horas é mais fácil.
Em outras, é mais difícil.
E não é que tudo isso é lindo?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

dias iguais

Antes da pequena nascer, eu ansiava pelo final de semana e pelas férias.
Gostava, ou melhor, me encontrava na quebra da rotina, buscava o descanso da semana agitada na manhã preguiçosa do sábado.
A pequena nasceu numa sexta, nós tivemos alta do hospital num domingo. E portanto, minha cabeça que já estava habituada a pensar assim, entendeu que o trabalho de mãe começou oficialmente na segunda. Afinal chegamos em casa com o domingo quase por acabar.
Eis que passou a primeira semana.
Chegou a sexta e meu coração queimava por um descanso, porque mesmo tendo uma rotina agitada (bastante agitada) nunca tinha experimentado um cansaço tão grande.
E a noite da sexta passou.
Amanheceu o sábado e ele foi "igual que nem" os outros dias da semana.
E amanheceu o domingo, e ele repetiu a proeza do sábado.
Achei que era o começo da vida de mãe, que logo passaria.
Não passou.
Voltei a trabalhar, mas escolhi recomeçar aos finais de semana.
Pareceu mais lógico, pois os dias estavam todos iguais, tanto fazia recomeçar na segunda ou no sábado.
E chegaram as primeiras férias.
E surpreendentemente, nada mudou.
A não ser pela briga com o relógio que deu uma trégua.
Cada período de férias escolares trouxeram um desafio novo, uns eram relacionados à apresentar atividades culturais, outros a criar experiências bonitas em casa.
Cada qual com sua beleza e dureza.
E agora, meu desafio novo é conciliar trabalho e férias.
Férias dela, e pseudoférias para mim.
E hoje além das minhas cobranças internas de ser uma boa mãe, existem cobranças externas partindo da pequena: Mamãe, quero ir ao teatro. Ou: Mamãe, quero passear. Ainda: Mamãe, brinca comigo.
E eu em meio a textos científicos, leituras e escritas fico assim como fiquei há cinco anos atrás: com dias iguais.
Pelo menos são dias coloridos, o relógio só me dá bronca a meia noite e só quando ele observa que uma atividade consumiu mais tempo do que o planejado. Não fica no meu pé de hora em hora.
Mas por hora (com o perdão do trocadilho) já está bom.


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

hoje é o último dia de aula da pequena

Hoje é o último dia de aula da pequena.
Ano que vem ela começa o Ensino Fundamental 1, ela vai para o primeiro ano.
Um minuto de silêncio pela mãe que está em luto luta para descobrir como foi que os anos passaram tão rapidamente.
Obrigada.
Ela está curtindo ser grande, apesar de "sentir falta dos carinhos de bebê" - palavras dela mesma, saídas da boca dela, inventadas pela cabeça dela própria.
E eu estou curtindo ela grande, apesar de sentir muita falta daquela pequenininha que conheci há 5 anos atrás.
Ela se recusa a doar os brinquedos de bebê, e eu não vou forçar, eu ainda não consegui me desfazer nem do carrinho de bebê que continua no porta malas do carro.
Entendo-a bem.
Tem gente que me cobra um segundo filho, como se a saudade que eu sinto dela pequenininha fosse passar por ter um outro bebê.
Na minha opinião, a saudade só aumentaria com o tempo, pois seriam dois bebês para "saudadear".

Hoje é o último dia de aula da pequena.
Ela já sabe ler, já escreve foneticamente, sabe? Tipo escreve o som que ela escuta.
É tão fofo!!!
Ontem ela escreveu KONI (cone), BADEDI (band aid) e MUZIKA (música).
Ela também já faz pequenas adições, e está começando a compreender a subtração.
Ela já sabe se trocar sozinha, escovar os dentes sozinha, comer sozinha, se enxugar sozinha.
Ela já nada, toca piano e está aprendendo a língua inglesa.
Que pessoinha linda ela é.

Hoje é o último dia de aula da pequena.
Ela cresceu, e eu vi isso acontecer todos os dias.
Eu cresci, e eu vi isso acontecer todos os dias, também.
Ela cresceu, eu só não percebi.
Eu cresci, e só percebi agora.


sábado, 5 de dezembro de 2015

prêmio melhor mãe do ano

Dezembro é um mês recheado de festividades.
Temos os encontros de fim de ano das firmas, temos os famigerados amigos secretos, temos as apresentações escolares, temos os festivais dos esportes, as apresentações culturais e muitas outras comemorações lindas.
Mas existe uma premiação ultra secreta, que também acontece no mês de Dezembro, na qual uma única mãe no mundo todo recebe o desejado título de mãe do ano.
Eu, até hoje, só fui indicada a este título uma única vez.
Lembro-me com carinho de Dezembro de 2009.
Quando recebi o envelope de indicação, eu estava grávida pela primeira vez, cheia de sonhos, desejos e teorias perfeitamente selecionadas.
Quanta alegria! Foi uma honra ser indicada.
Mas não ganhei.
E não sei quem ganhou.
Ouvi dizer que as identidades das mães que são agraciadas com o título, são protegidas pelas agências de segurança mais importantes do mundo.
Reza a lenda que as mães fazem parte de uma espécie muito feroz e agressiva, que muitas vezes julgam com voracidade umas as outras, e por esta razão, os criadores da premiação optaram por proteger a identidade das ganhadoras.
Mas voltando a minha indicação.
Desde àquele Dezembro de 2009, eu nunca mais fui nomeada.
Mas todos os anos, me esforcei grandemente e arduamente, para desempenhar meu papel de melhor mãe do mundo. Para que no momento em que eu finalmente recebesse a honraria, eu teria a minha consciência tranquila de que eu realmente a merecia.
O que eu preciso contar é que em Dezembro de 2009, eu achava que teria um menino - seria o Enzo, ou o Felipe, ou o Pedro, ou o Davi - eu não sabia o nome da criança. Isso me custou menos 10 pontos na avaliação final.
Naquele Dezembro, os presentes de Natal foram um carrinho roxo e um vestidinho (que a vovó comprou achando que era um body). Isso me custou mais 30 pontos. Eu cogitei pedir um nova contagem, até porque alguns meses depois do Natal, eu descobri que teria uma menina e não um menino. Então, não foi algo tão grave assim.
As minhas teorias sobre os cuidados gestacionais, parto e cuidados com o bebê, eram coerentes com os ensinamentos dos livros, mas não eram aplicáveis a realidade de ser de fato uma mãe de verdade. Eu acho que isso foi dureza de julgamento dos juízes, afinal eu ainda não tinha experiência.
Por fim, minha colocação foi prejudicada. E eu perdi.
Passaram-se 2010, 2011, 2012, 2013 e em Dezembro de 2014, quando mesmo fazendo todo o esforço para receber o título de melhor mãe do mundo, já exaurida de tantas regras, tantas ordens, tantas ansiedades, medos e culpas e ainda assim, novamente sem a indicação para o prêmio. Eu tomei uma decisão.
Não vou me candidatar.
E vivi 2015 assim, sem mirar o prêmio.
Eu acudi só as coisas que eu realmente conseguiria acudir.
E para as coisas que eu esqueci, ou não que dei conta, pedi ajuda.
A mancha do uniforme não saiu na primeira, na segunda, ou mesmo, na terceira lavagem? Sem problemas, vai de uniforme manchado para escola. A propaganda do sabão em pó fala que criança feliz é criança suja. Beleza, vou acreditar.
A escola mandou bilhete avisando que precisa de latas de leite em pó, mas a gente não toma leite em pó em casa. Antes, desespero. Em 2015, pedi ajuda no milagroso grupo de mães da escola. A pequena fez a atividade com o patrocínio latístico da família de um amiguinho da classe.
Os prazos da escola, da natação, da vida e da rotina foram atendidos quando possíveis, e não no primeiro dia após a solicitação. Perdi alguns prazos, mas priorizei aqueles que eram mais importantes. E os que eu perdi, eu dei conta de arcar com as consequências.
Foi MUITO difícil para mim me desapegar do prêmio tão almejado por tantos anos.
Mas a minha confissão mais verdadeira é que foi mais leve.
Essa semana, conversando com a professora da pequena, me desculpei pelas milhares de falhas no ano, e disse que esse ano tinha certeza de que não seria ao menos indicada ao prêmio de melhor mãe do ano. E ela me acolheu.
Ela me disse que ela também não estava concorrendo. E que ela já tinha sido avisada que parar de entrar na disputa é o melhor sinal de saúde que uma mãe pode ter.
Então, é isso.
Mais um Dezembro chegou e eu não fui indicada à premiação.
E, hoje, estou muito feliz com isso!
Um brinde à saúde!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

o adulto dessa criança

Um dos passeios preferidos aqui em casa é ir em livrarias.
Nós amamos! Quando temos tempo, nós vamos às livrarias, escolhemos os livros e vamos lendo e formando uma pilha de livros. Aqueles que a gente mais gosta, a gente traz para casa.
Dia desses, estávamos numa livraria, sentadas no chão, com vários livros lidos e escolhendo mais alguns. E eu não pude deixar de escutar a conversa da vendedora com uma cliente.

Vendedora: Boa tarde, eu posso ajudar?
Cliente: Sim, estou procurando um presente para um sobrinho.
Vendedora: O adulto desta criança tem o hábito de ler para ela?

Nesse mesmo instante, ouvi um disco arranhado dentro de mim.
Oi? O "adulto dessa criança"?
Duas questões me saltaram à mente e soaram estranhas para mim.
A minha primeira foi de pensar que vivemos em um mundo tão chato, mais tão chato que já não é mais politicamente correto perguntar se os pais da criança gostam de ler para ela.
A segunda questão se relaciona com o fato de que a expressão "o adulto dessa criança" é profundamente desprovida de afeto. É como se não existisse nenhuma relação entre este adulto e esta criança. É uma relação impessoal. É como se qualquer adulto pudesse ser O Leitor para a criança.
Ler para uma criança é algo mágico, os olhinhos brilham, a imaginação voa solta. É um momento muito especial. E essa leitura mágica, só acontece quando há uma relação entre o leitor e ouvinte. Os contadores de história que me perdoem (amo levar a minha pequena para ouvi-los e ela ama ouvi-los), mas quando sou eu e/ou o papai que lemos a história... a reação é outra.
A conversa entre a vendedora e a cliente terminou assim:

Cliente: Sim, minha irmã lê bastante para ele.
Vendedora: Ah, que bom! Caso contrário, eu sugeriria para comprar um brinquedo. Ele aproveitaria mais sozinho.

Aí, me contorci inteira!
Atrás de uma expressão politicamente correta, se escondia uma conduta superficial. Se o objetivo é construir um futuro onde as crianças tenham o prazer de ler, mesmo que o pais ou demais responsáveis (me recuso a usar a expressão da vendedora) não tenham o hábito de ler para a criança, então, ganhar um livro é algo bastante sugestivo para adquirir o comportamento.
Enfim.
A pequena saiu da livraria depois de 10 livros lidos, gostou de todos, mas não amou nenhum para ler várias vezes. Ela veio com a cabeça cheia de histórias e com a imaginação aquecida.
Por outro lado, eu saí de lá com um barulho ensurdecedor dentro de mim: "o adulto dessa criança?" - não é isso que eu quero ser para a minha filha.
Eu quero sempre ser a mãe, A MÃE da minha filha.
Com todo afeto e limites que esta relação merece e deve ter.
E eu espero, com todo o meu coração, que você nunca seja o adulto de uma criança.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

por quê disso tudo?

Eu sei que você deve ter um pequeno ou uma pequena curiosa na sua casa. E por isso, acho que você vai me entender.
Minha pequena, que hoje tem 5 anos, busca entender o motivo ou a razão para tudo, e isso acontece o tempo todo. Há uns dias atrás ela ganhou uma lembrancinha que uma amiga minha trouxe de viagem. A pequena não se conformou: - Por quê ela me deu isso? Eu amei tanto, mas por quê esse presente? Outro exemplo, foi a cirurgia que meu pai fez nos olhos: - Por quê ele ficou com os olhos doentinhos? As vezes a resposta já está na própria explicação que eu dou: - Filha, por favor, tira o copo da beiradinha da mesa, ele vai cair. E ela prontamente lança: - Mas por quê o copo vai cair?
E a minha reação depende da lua do céu, tem dias que tenho toda a disposição do mundo para explicar cada detalhe, como: Filha, a titia te ama muito e lembrou de você durante o passeio e quis te fazer uma alegria. Tem dias, que a lua está mais sombria, e a minha resposta é um simples "porque sim" ou "porque não". E ainda existem os dias mais horripilantes, e aí a minha resposta é "porque eu sou sua mãe e pronto!".
Tem momentos na vida que é difícil entender o porquê das coisas, mesmo das boas, quanto mais das ruins. Por exemplo, por quê a gente ganha alguns presentes de Deus? Tipo uma semana de chuva forte e farta em meio a uma seca castigante. Ou como podemos entender eventos ruins como os atentados terroristas e as guerras pelo mundo, a violência e a corrupção do nosso país.
Quando era criança tinha uma propaganda de você sabe o quê que dizia "Eu não tenho todas as respostas, mas posso fazer todas as perguntas". Eu sempre revirava os olhos!
De que me adianta a pergunta não respondida?
Será que tudo realmente tem uma razão, e não existem acidentes?
Será que não existe o "porque sim" e o "porque não"?
Ou será que sim, existem?
Será que nos falta argumentos e justificativas?
Ou será que na verdade não há a necessidade para tantas perguntas?
Quando é que a gente aprende a filtrar os nossos questionamentos?
Ou será que a gente nunca pára de questionar, só muda o destinatário da pergunta?
Mas por quê?
Por quê?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

lente de aumento

Ser mãe é uma beleza!
Onde está a beleza? Nas olheiras?
Onde está a beleza na roupa manchada?
Ou será que está na cara lambuzada?
Na casa desarrumada? 
Na roupa desengrainhada?
Na rotina exaurida?
Nos quilos a mais que insistem em ficar?
Eu não sei.
Só sei que é bonito, mesmo assim.

Sempre que me pego pensando na vida materna, me deparo com essas perguntas. Mas são perguntas da realidade, da dureza da rotina. Não dá para enfeitar o dia a dia, ele acontece e pronto. A gente se desgasta, mas ama. A gente não dorme, mas tem forças. A gente perde o sono, e escreve.
Talvez a rotina seja uma lente de aumento, daquelas bem potentes, que nos obriga a enxergar cada detalhe minúsculo da nossa história. De perto nada faz sentido, mas quando olhamos de longe tudo se encaixa, tudo se explica.
Quando damos um passo para trás, conseguimos ver um pouco melhor - não tudo, mas um pouco só. E percebemos que a nossa rotina é semelhante a de outros. Que nossas batalhas são tão parecidas. Que o nosso cansaço, não é só nosso.
E que apesar disso, a nossa vida é bem bonita, do jeito que ela é.
Hoje é meu último dia de férias, estou olhando minha rotina de longe. E de longe eu gosto dela.
Gosto de como está organizada. Gosto de como ela parece ser.
De perto, não gosto. Ela me cansa, me faz correr, me faz piscar e o dia passar.
Mas ela precisa existir, assim, do jeito que ela é.
Então, vou pegar minha lente de aumento e viver cada estranheza necessária.
Estou feliz por isso!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

desde a última vez que escrevi

A última vez que escrevi (de verdade) aqui, foi em 03 de dezembro de 2012. Eu não sabia, mas a minha vida ia virar de cabeça para baixo (mais uma vez) e eu viveria uma experiência que me obrigaria a mudar opiniões e certezas sobre mim, sobre meus sonhos, sobre a maternidade. 
Não, eu não fiquei grávida. Mas sim, pari novamente.
Na época da última postagem, a pequena tinha 2 anos e meio, eu já estava trabalhando normalmente. E conversando com o marido, cheguei a conclusão que deveria volta a estudar. Eu já tinha feito um curso técnico, uma faculdade, uma pós, uma especialização. Pareceu adequado prestar o mestrado. 
E eu passei no mestrado.
Fiquei feliz.
Que bom.
E foi aí que as coisas começaram a mudar.
A primeira coisa que você precisa saber sobre o mestrado, é que apesar de você ter experiência profissional, ter algum conhecimento teórico e achar que é muito legal estar cursando o mestrado. Nada disso conta alguma coisa. Você será considerado como um iniciante imaturo. Cursando algo que só valerá a pena se você tiver desejo de continuar e caminhar em direção ao doutorado, pós-doc e etc... 
É possível que somente eu tenha vivido isso, devido toda a conjuntura estabelecida. Mas foi assim, pelo menos para mim. Eu vivi uma espécie de Tropa de Elite acadêmico. Toda semana meu Capitão Nascimento me colocava em situações impossíveis, algumas humilhantes, testes de resistência emocional, profissional e intelectual. Ainda fazendo analogias, meu tanque de resiliência ficou semelhante às represas paulistas: no volume morto.
E como isso me mudou? 
Bom, apesar de toda a dificuldade em sobreviver aos dois anos do curso. Descobri que sou apaixonada por pesquisa. Tanto quanto a prática profissional, ou até um pouco mais. Descobri também que ser mãe, trabalhar fora, voltar a estudar e manter a vida em equilíbrio é algo surreal.
Isso me fez ter um respeito profundo pelas mulheres que trabalham e são mães. Continuo admirando as mães em tempo integral, são igualmente guerreiras. Mas a minha admiração veio em direção àquelas que não têm escolha, sabe? 
Por que a maternidade, cá entre nós, é um processo solitário recheado de culpas e de julgamentos. Cada mãe sozinha se une a um grupo de outras mães sozinhas, e cada grupo esbraveja contra o outro. É um mundo cruel que as mães estabelecem umas contra as outras. Tem as do parto normal, as do parto normal humanizado, as das cesárias, as das que fizeram cesárias contrariadas. Tem as mães em tempo integral, em tempo parcial, as phynas, as desleixadas, as workaholics. E tem as ditaduras dos grupos. Quando um grupo está em alta, o outro grupo luta para voltar ao topo.
Eu transitei e colaborei com inúmeros grupos, você pode observar isso aqui mesmo no blog. Mas estes últimos dois anos me ensinaram que o sonho e a realidade são coisas que podem se cruzar, mas também podem se distanciar. A minha experiência materna nos últimos anos não foi nula, eu não deixei de ser mãe da pequena, em nenhum instante. Mas eu deixei de estar exclusivamente perto. O mais incrível? Foi bom para mim, e foi imensamente bom para ela. 
E isso me mostrou que existe apenas a vida. Tem coisas que a gente sonha, planeja, imagina. E tem coisas que a gente não sonha, não planeja, não imagina e acontece assim mesmo. As vezes mudam a vida, as vezes mudam a gente. E nem por isso vivemos menos. Por isso, menos julgamento e mais compreensão, por favor, mamães.
Eu terminei o mestrado, e como disse, pari minha dissertação. O nome dela (da dissertação) é bonito, contém o máximo das 12 palavras aceitas pela comunidade científica. Digo que pari, porque o processo foi semelhante, foi doloroso, me fez chorar inúmeras vezes, vivi muitas madrugadas em claro, minha aparência mudou, impactou a minha relação com o marido (de uma forma positiva). "Igual que nem" um bebê.
Desde a última vez que escrevi eu voltei a estudar, escrevi histórias infantis, vi a pequena crescer, observei o máximo que pude das conquistas dela. Ou seja, eu não escrevi aqui, mas eu vivi. Intensamente!





segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

por uma experiência materna mais humanizada

Meu tema de reflexão dos últimos meses anda sendo: que alvo de maternidade tenho buscado? Parece complexo - e de fato é, mas pensar sobre isso tem um impacto prático nos meus dias. Tudo começou com umas fotos engraçadas no facebook, que mostram como as pessoas acham que é ser mãe, como a família acha que é, como o pai... e no fim mostra como é de verdade... E não é só para as situações maternas que existe essa brincadeira, tem de monte.
Isso me provocou as ideias, e comecei a pensar e pensar e pensar... Como é que nos dizem que devemos ser mães? Comecei a ler um livro muito legal, que se chama "A culpa é da mãe" - divertidíssimo, a autora conta sobre a experiência materna da sua avó, da sua mãe e de como ela mesma é mãe, e fui percebendo que em cada época o conhecimento sobre o desenvolvimento humano era de um jeito, que as cobranças sociais eram outras, que as expectativas quanto ao futuro também eram outras. Isso não significa que eram melhores, ou que a nossa é melhor. Eram apenas diferentes.
Mas cá estou eu, uma geração depois da autora do livro (que hoje já é avó), e tenho me perguntado como é que hoje me pedem para ser mãe... E consigo pensar em algumas coisas:

1. Hoje mãe precisa ser inesgotável. A partir das orientações dos profissionais, quando o nenê nasce você tem que ficar a disposição da amamentação, da confecção da papinha, do estímulo cognitivo, social, motor e isso só pensando na relação com a criança.

2. Hoje você não pode se descuidar. Jamais alguém pensa que uma mãe é feliz se ela estiver com a aparência desleixada, de jeito nenhum. Boa mãe está sempre arrumada, de roupa limpa, de cara descansada e feliz - e de preferência: MAGRA!

3. Hoje não tem meio termo profissional: ou você é uma mãe egoísta e trabalha, ou você é uma esposa folgada e não ajuda financeiramente em casa. Ah, tem uma terceira opção: se você tenta conciliar o trabalho no horário da escola dos filhos, você não trabalha, você tem uma distração.

4. Hoje você não pode esquecer que antes de ser mãe, você é mulher. Seu marido não pode perder o interesse em você, então depois de você ter acordado 5 vezes na madrugada, ter dado de mamar 12 vezes no dia, caminhado uma hora da esteira com a criança pendurada em você, depois de você ter feito papinha, almoço de gente grande, limpado, lavado, dado banho, estimulado, trabalhado... Você ainda tem que ter pique para ir para um jantar romântico, conversas profundas e juras de amor. 

5. Hoje você não pode esquecer da vida social, afinal de contas é vendo que você é tem amigos que seus filhos perceberão o quanto é divertido manter amizades, vão desenvolver as tão desejadas habilidades sociais.

6. Hoje em dia você não pode explodir de raiva e frustração na educação do(s) seu(s) filhos. Afinal de contas esse é um modelo negativo, prejudicial a saúde emocional, e você não pode se frustar porque você é adulto e já sabia que crianças davam trabalho. 

Acontece, gente, que esse modelo que nos pedem hoje, não é nenhum pouco humano. Na real, só Deus é capaz... Por isso tenho pensado, que mãe tenho sido, quais cobranças tenho feito a mim, a minha família, o que realmente vale a pena, o que eu preciso esquecer e ajustar. Não dá pra ser super, nem divina, posso ser só eu? Humana, cansada e imperfeita? E se der tudo certo, venho falar disso mais um pouco!

Beijos

terça-feira, 4 de setembro de 2012

a polêmica do filho único

Hoje estou rompendo o silêncio, estou precisando de ajuda para pensar... Neste tempo que estive longe fui me ocupando de outras coisas, na verdade andei me ocupando de me adequar a todas as mudanças que vivi no início do ano. Além disso, estou começando a aprender que a vida de mãe é mais um aspecto da minha vida, e não o único, e tenho me lançado com bastante alegria a outros projetos, sem nunca me esquecer do meu lindo projeto de gente grande que está ao meu lado. Esse equilíbrio que estou buscando, tem suscitado uma discussão familiar (mamãe-papai): será que devemos ter outro filho?
Estamos bastante tendenciosos a definir que teremos unicamente a nossa pequena, sem a pretensão de acrescentar mais ninguém ao nosso clã, mas ao compartilhar isso com algumas pessoas super próximas temos recebidos reações diferentes.
Uns dizem que "só" um é pouco... Oi? Amigo, cê sabe quanto de trabalho dá cuidar de uma criança? E se você quer fazer do jeito certo (educar de verdade, alimentar de verdade, dar atenção de verdade, amar de verdade) o trabalho é intenso! Cês perceberam que eu falei de relacionamento interpessoal, nem mencionei a questão de quantos dinheiros custa cuidar de uma criança.
Outro falam que é judiação da pequena ser filha única, mas porque é judiação? Isso ninguém consegue me explicar, como estudo muito o desenvolvimento infantil, sei existem pesquisas provando que na sociedade atual e com a difusão da informação, o filho único pode ser estimulado socialmente e todos os mentes possíveis tal qual uma criança que tenha irmãos. Então vai sofrer de que jeito?
E aí quando começam a dizer sobre a importância do irmão para a criança, chove chavão! O mais velho vai aprender a dividir quando chegar o irmãozinho, fica mais fácil porque eles se distraem e sobra mais tempo pra você... E aí fico pensando que entonces o coitado do filho mais novo, vai chegar para ser a babá do mais velho e vice versa...
Ainda não chegamos a nenhuma conclusão, só estamos tendenciosos e pensativos... Até porque, ter filho ou não, não é uma coisa que se faz assim sem pensar... E aí? Topam pensar com a gente?

quarta-feira, 18 de abril de 2012

semanas x meses

Esse post é para as mamães gestantes que vivem o dilema semanas x meses, porque é uma confusão gigante quando alguém pergunta de quanto tempo a gente está, não é? O obstetra, o médico do ultrassom, a carteirinha da gestante, os sites de bebê, todos contam em semanas, e o resto do mundo quer saber em meses!
Eu ficava mega na dúvida! Até que na semana passada vi essa tabela salvadora no facebook de uma amiga, AMEI! 


PS: Peço desculpas ao dono(a) da imagem, como rolou no fcbk, não sei de quem é... Mas muito obrigada mesmo assim!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

primeira pérola - Bela falando

Imagine o momento, correria mega blaster entre almoço, arrumação de mochila, lancheira, pequena e mamãe.

AÇÃO:

Mamãe Iniciante (eu): Filha, vamos pegar sua roupa da escola? (entonação empolgada!)
Filha Experiente (ela): Naoum! Cola, Naoum!
Eu: Vamos sim, filha! Você vai brincar com os amigos, vai matar a saudade da Didi (Didi é a dona fessora)
Ela: COLA NAUM! Ki vochê... (fazendo bico)
Eu: Filhota, hoje é dia de escola, a mamãe vai trabalhar, a mamãe não vai ficar em casa. E você não pode ficar sozinha aqui, né? (achando que tinha super vencido a batalha)
Ela: Co papai! (Touchè - A-RÁ)

Fim da cena:
Eu: Mas o papai também não vai ficar em casa.
Ela: Buáááá
Eu: Fico de cara e termino de arruma-la mesmo assim, pensando: "Quando foi que ela ficou mais esperta que eu?"



quinta-feira, 12 de abril de 2012

cadê meu terrorista?

Amo papear com mães, na verdade sempre gostei, mesmo antes da pequena nascer ficava horas batendo papo, ouvindo as pérolas do conhecimento materno, algumas preciosas, outras descartáveis, mas igualmente divertidas! Agora que sou mãe, curto ainda mais, justamente porque não estou só na condição de ouvinte (ou teórica), mas tenho vivido na prática "essa coisa de ser mãe".
Em um horário vago no consultório, me peguei compartilhando meu momento mãe, com uma amiga homônima que também é mãe. Estava dizendo à ela, que por mais que ame minha filhota, tem horas que oscilo entre querer estar muito pertinho (especialmente quando estou longe) e estar muito longe (quando estamos pertinho).
Ela com todo jeito sábio de mãe mais experiente (ela já é mãe de dois, muitos quilômetros de vantagem a minha frente), me falou que não deveria me preocupar com esse sentimento, ele é natural, e é típico da fase do educar (que não acaba nunca! TKS...). E ela me acalentou terminando da seguinte forma: "É mais fácil negociar com um terrorista, do que com uma criança pequenininha".
Desde então, a cada birra da pequena, eu fico chamando meu terrorista! 
Tô precisando de desafios mais fáceis ;)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

mãe de dois

Se você entrou correndo achando que eu estava anunciando minha segunda gravidez (RÁ - te enganei!), você vai encontrar uma novidade tão especial quanto. A partir de hoje - e sempre que for possível - uma amiga muito querida estará colaborando com suas experiências como uma mãe iniciante que se desdobra como MÃE DE DOIS - nossa nova sessão no blog!
Eu e a Débora somos amigas há (10 anos) muitos anos, compartilhamos os anos da faculdade e um carinho sem igual, eu poderia ficar por muitas e muitas linhas dizendo coisas maravilhosas a respeito dela, mas você aos poucos irá conhecê-la e verá com seus próprios olhos a pessoa que ela é. E sem mais delongas...
Dé, Euler, Laurinha e Otávio: SEJAM MUITO BEM VINDOS!!!

Mãe de dois!


A pedido da super querida dona do blog, estou eu aqui, na figura de mãe de dois, para escrever sobre maternidade para iniciantes. Sim, mãe de dois também é iniciante!

A experiência que eu adquiri com a minha primeira filha me ensinou muitas coisas; mas apenas 3 ajudaram com o segundo:

1- febre não é problema grave. Principalmente se a criança está: querendo comer, brincando ou desobedecendo;
2- a rotina é a minha melhor amiga;
3- há MUITO que tenho que aprender nessa vida!
É bem óbvio dizer que cada filho é de um jeito (chega ser até clichê), mas essa verdade reflete algo que nunca ninguém tinha me dito: a mesma mãe é diferente para cada filho. Por mais que eu soubesse da diferença dos dois, muitas vezes eu tentei ser a mesma mãe e não funcionou! 
Ufa! Que alívio chegar a essa conclusão! Coloquei-me de volta na posição de mãe iniciante e bora aprender tudo novo de novo!
Um beijo,
Dé da Laura e do Otávio

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Páscoa...

Quando eu era criança, a turminha da igreja cantava uma musiquinha que dizia "Páscoa, Páscoa o que isso significa para você?", eu não me lembro como ela continua, mas esse pedacinho ficou guardado na memória.
Acho que o momento é propício, certo? Para mim, a Páscoa está longe de ser um feriado triste, porque ainda que seja o momento de relembrar uma trágica morte, é também uma oportunidade de perceber o quanto Um Amor pode fazer. Um AMOR que não mede esforços, que não leva em consideração seu próprio bem estar, para poder dar esperança para pessoas comuns como eu e você.
Não interessa muito em que caminho, ou ainda em que religião estamos, eu não acredito em religião, minha relação de Fé é com Deus, e não com placa de igreja, por isso fico tranquila de te deseja Feliz Páscoa, porque  para mim, Páscoa é esperança levada ao pé da letra!
Então: FELIZ PÁSCOA!!! Aproveite muito esse tempo...

Bjinhos