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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Ainda dá para ser?

Durante esse tempo que estive longe (fiquei o mês de Março em silêncio) muita coisa aconteceu em casa, mas três coisas mexeram muito comigo. E demorei, ou ainda, estou demorando, em organizar as ideias. Vou tentar compartilhar, e com o perdão ao plágio descarado ao Dr Seuss quero apresentar as minhas: Coisa 1, Coisa 2 e Coisa 3.

Coisa 1: Li em um jornal uma reflexão sobre como tem sido comum as pessoas dizerem que "odeiam crianças" e em uma pesquisa bem rapidinha no Google, encontrei muitos (mas muitos, mesmo!) textos afirmando esse sentimento tão intenso dirigido às crianças.

Coisa 2: A professora da pequena me chamou para conversar, o motivo é que a pequena não é rápida o bastante para o 2º ano. Ela deveria copiar coisas das lousa em pouquíssimos minutos, ela deveria contar objetos muito rapidamente. Ela as vezes leva um tempo muito longo (20 a 30 minutos) para escrever 5 parágrafos a mão. 

Coisa 3: O responsável pelo condomínio onde eu moro decidiu que a rua não deve ser um espaço de brincadeira para as crianças, a justificativa é as pessoas não são obrigadas a gostar de compartilhar os espaços com elas.

Pode ser que olhando as coisas separadamente a gente ache que uma Coisa é uma Coisa, e outra Coisa é outra Coisa. Mas para mim, Coisa 1, Coisa 2 e Coisa 3 fazem parte de uma Coisa só. É uma Coisa bem grande, mas ainda sim é uma só: a desvalorização do ser humano.

Nossa, Karina... Que absurdo!
Juro que não... 

Quem diz que odeia criança, diz baseando-se no fato de que elas são inconsequentes, barulhentas, egoístas, e que dão muito trabalho. Que a vida com elas produz mais limitações e responsabilidades do que ganhos. As escolas, mesmo as que têm uma metodologia bacana, querem alunos produtivos, prontos, com habilidades de pessoas adultas já desenvolvidas. Os espaços de convívio têm sido categóricos, hoje em dia existem restaurantes, hotéis e condomínios que têm sido explícitos ao dizerem que não recebem crianças. As justificativas são as mesmas quem diz que as odeia.
Mas a pergunta que eu te faço é: os adultos também não são inconsequentes? Barulhentos? Egoístas? E dão muito trabalho? A vida de um adulto também não é limitada? E em nossa vida adulta não lidamos muito mais com responsabilidades do que ganhos?
Se nós pensarmos no cuidado (ou falta de cuidado) com o meio ambiente, os adultos têm sido bastante inconsequentes com o tema. A inconsequência também é vista no trânsito (espaço cuja responsabilidade é do adulto), nos hospitais (espaço comandado por adultos), na política (espaço gerido por adultos). Nós adultos, nas nossas relações, também não sabemos ser altruístas, calmos, otimistas e com equilíbrio.

As pessoas têm se esquecido que criança não é um ser separado da humanidade. 
Uma criança É um ser humano, que faz barulho (como os adultos, são barulhos diferentes, mas ambos podem incomodar), que diz o que pensa (como o adulto faz, e as vezes é melhor e mais coerente conversar com uma criança do que com um adulto teimoso), que as vezes é egoísta (e quem não é?), que dá trabalho (e o adulto não dá? Fale-me mais sobre como é cuidar de um amigo bêbado na balada? E como é fazer trabalho na faculdade com quem só quer que coloque o nome? E trabalhar na equipe com um funcionário que não quer fazer a sua função, é o sonho de todos nós, não é mesmo?).
A criança é um ser humano que está adquirindo habilidades e desenvolvendo competências, justamente para virar um adulto chato, como eu e você. E a palavra chave é "aprendendo". O problema de aprender algo novo, é que uma vez que a gente aprende, a gente esquece como era quando a gente não sabia, e numa dessas a gente acha que é ignorante quem ainda está aprendendo.
E num mundo de pessoas que se esqueceram de como era quando estavam aprendendo, não são desenvolvidas as capacidades de aprender, e não há espaço para errar, para tentar de novo, para viver o processo. 
Você só tem uma chance.
E com uma chance só não dá para ser criança. 
Com apenas uma chance, não se tem: nem tempo, nem espaço para aprender a ser humano.
Isto, por sua vez, gera pessoas não humanas, não que elas virem robôs, deixem de ser de carne e osso, não é isso. Mas como as crianças não tiveram tempo e espaço para descobrirem competências e valores, elas não oferecerão isso a ninguém. 

E assim, vive-se esse ciclo que estamos vivendo hoje com a Coisa 1, Coisa 2 e Coisa 3.
Quem odeia a criança, odeia a si mesmo.
A escola que deseja a criança pronta, advoga contra ela mesma, pois o seu papel é preparar e ensinar.
O espaço que proíbe a entrada da criança, limita a si mesmo.
E assim, vamos ficando sem opções para nos desenvolvermos como seres humanos.
Sem a chance de adquirirmos habilidades e competências para vivermos em sociedade.
Sem a chance de aprimorarmos os nossos seres.

Eu vou lutar contra isso, mas eu não acho que a reposta seja odiar de volta, proibir igual, e aceitar a exigência da falta de prontidão.
Eu vou tentar lutar contra isso, dando a minha filha competências, estimulando nela capacidades para estar nos lugares e respeitar o próximo, mostrando a ela que a gente sempre pode aprender e treinar novas habilidades como fazer mais rápido, ou caprichar mais, ou prestar mais atenção, e que isso não tem a ver com a cobrança de alguém, mas com a nossa vontade de ser melhor todos os dias.

E não vou fazer isso apenas na infância, mas sempre.
Eu faço isso comigo todos os dias.
Eu não quero emburrecer, odiar a mim mesmo, esquecer de como já fui ignorante, e de como ainda sou para tantas coisas que preciso aprender. 
Eu não quero perder o desejo de ser hoje alguém melhor do que fui ontem.
Eu não quero - por fim - deixar de ser um ser humano, e portanto, não quero que a pequena seja privada de ser.

Eu não sei onde você se encaixa nessa história toda, se você é quem está fazendo a Coisa 1, a Coisa 2, ou a Coisa 3. Ou se você está como eu, questionando e buscando uma alternativa a essas coisas.
Mas que independente de onde a gente esteja, que a gente seja capaz de lembrar que o MMC entre nós é que somos todos pessoas, ainda que sejamos crianças, adolescentes, adultos, idosos, brancos, negros, orientais, indígenas, cristãos, católicos, budistas, muçulmanos, umbandistas e tantos outros rótulos que a gente usa para esquecer que somos essencialmente e simplesmente pessoas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

meus vinte (trinta) e poucos anos

"... nem por você, nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos
Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos..."

Acordei com esse trecho da música "Vinte e Poucos Anos" na cabeça. 
Não sei explicar o porquê, ela simplesmente fez meus olhos abrirem pela manhã.
O curioso é que eu nunca a cantei...nem com o Fábio Júnior, nem com o Raimundos e menos ainda com o Fábio Júnior e o Fiuk. (Sim, fui procurar de quem era a música para poder escrever... a pós-graduação tem me ensinado bem, e procurar fontes e fatos fazem muito bem para qualquer reflexão).

Resolvi, então, ler a letra. 
Resolvi, então, ouvir a música inteira.
E ela fala se um sentimento de profunda clareza de planos, de sonhos, de expectativas.
E o trecho que me despertou é o refrão: nem por você, nem por ninguém.
E eu fiquei pensando... 

Ao mesmo tempo em que admiro esse tipo de pensamento, no sentido de que é preciso saber quais sonhos nos movem. E que legal ter essa clareza aos vinte e poucos anos.
Outra música, um outro trecho ecoa lá no fundo dos meus pensamentos... É preciso saber viver (cantada pelo Titãs e pelo Roberto Carlos, em coautoria com o Erasmo Carlos - ah! a aplicação do pensamento científico é uma coisa linda...rsrs... também fui procurar).

Enquanto uma é quase um hino de guerra: não abro mão de nada do que eu sonho para mim por ninguém. A outra me parece um hino de paz: "é preciso ter cuidado para mais tarde não sofrer...".
E isso me fez pensar na maternidade. Na minha família. No movimento que eu tenho observado no mundo.
Nós pais temos protegido tanto os nossos filhos. E ao mesmo tempo, temos sido tão egoístas.
Nós temos ensinado a eles a obstinação, a imaturidade dos vinte e poucos anos.
E pouco temos os lembrado da necessidade de saber viver.
Mas talvez a gente não tenha alcançado essa sabedoria ainda.

Eu tenho sonhos para mim. Muitos sonhos.
Eu sei que o papai tem sonhos para ele. Muitos que eu desconheço.
A pequena também já demostra ter planos e sonhos. E ela está apaixonada por descobri-los.
E eu não quero que a gente diga um para o outro: nem por você, nem por ninguém.
Eu quero que a gente seja capaz de dizer: vamos juntos?
Na tentativa de ir juntos, a rota não será uma linha reta.
Serão necessárias muitas curvas, muitas pedras no caminho.
Mas os meus trinta e poucos anos têm me ensinado que é melhor a curva acompanhada de quem se ama, do que a linha reta a sós.

A música do Fábio Júnior é real e tem seu lado positivo.
É bom que se tenha clareza e nitidez dos seus planos - aos vinte e poucos anos.
A música do Roberto e do Erasmo Carlos, também é real e tem seu lado admirável
É bom saber viver, em qualquer momento de sua história.
E como acordei musical, agora com meus trinta e poucos anos, pensando na minha história, na minha relação com a minha pequena, com meu marido e com as pessoas que eu amo.
Desejo de coração ter a maturidade de caminhar junto das pessoas que importam para mim, sendo capaz de "amar mais, chorar mais, ver o Sol nascer, arriscar mais, errar mais, fazer o que eu devo fazer, aceitar as pessoas como ela são, tendo a certeza de que cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração..." que eu também saiba "complicar menos, ver o Sol se pôr, me importar menos com problemas pequenos e morrer de amor", tal como sugere Epitáfio de Sérgio Britto, cantada pelo Titãs. 

PS: Só não vai dar para ecoar o trabalhar menos, porque por hora, tenho trinta e poucos anos, com filha para criar, sonhos para realizar, e vida para viver. O trabalhar menos, a gente deixa para depois. E tomara que se eu souber viver, o meu trabalho não irá roubar a alegria dos nossos dias.

PS de novo: se quiser ouvir as músicas e/ou ler as letras, é só clicar no nome da canção. Deixei o link para cada uma delas.


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

eu não vou te proteger da vida

Em julho desse ano nós fizemos uma viagem que durou quase 15 dias.
Foi a nossa primeira viagem longa em família.
E digo isso literalmente!
Não foi a primeira viagem longa desde que a pequena nasceu.
Foi a primeira viagem, mesmo.
Em 10 anos de casamento.
17 anos de relacionamento.
As últimas férias (leia-se uma semana de folga) do papai tinham acontecido em 2008.
Então, foram as primeiras férias em 8 anos.
Veja que evento importante para nossa pequena família:
15 dias sem nossa casa.
15 dias sem nosso carro.
15 dias sem nossa cama.
15 dias sem nossa TV, sem nossos livros, sem nossos brinquedos.
15 dias sem nossa zona de conforto.
Zona de conforto essa que não é perfeita, mas que é o nosso cantinho.

Nesses 15 dias nós andamos muito a pé, de ônibus e de metrô.
Nós carregamos sacolas de supermercado por quadras e quadras.
Nós comemos pão com ovo no jantar, quase todos os dias.
E preciso dizer: sair da nossa zona de conforto foi uma experiência muito especial.
Eu cresci com uma zona de conforto do tipo essencial: casa, comida e roupa lavada (e não está excelente?).
Para passear íamos de ônibus para lá e para cá.
E para fazer coisa importante, íamos de ônibus também.
Ir no mercadinho a pé, era o ápice da conquista do direito de ir e vir.
E ser responsável o suficiente para os pais confiarem o dinheiro do pão?
Uau! Era o suprassumo de sentir-se adulta!

A pequena nasceu numa época mais confortável da nossa (do papai e da minha) vida.
Ela sempre andou de carro para ir aos lugares.
Ela já tinha andado de ônibus em passeios escolares.
Mas eram ônibus leito, ou micro ônibus, nada de ônibus de verdade, que falta assento. Que tem que levantar para a senhorinha ou senhorzinho se sentarem. Que tem que segurar bem para não cair.
Ela já tinha feito caminhadas dentro de parques, de zoológicos, mas nunca caminhadas de verdade, daquelas que a gente fica contando as quadras para chegar perto de um banco para descansar um minutinho antes de voltar a andar.
E a pequena reclamou a falta da zona de conforto.
Ela dizia que queria voltar para casa.
Que queria sua cama.
Que queria seu cantinho.
Que queria poder ter um carro para sair.

E eu fiquei pensando na nossa vida.
Nas nossas distâncias.
Na nossa rotina.

Em casa, contando meu trabalho, escola dela, e atividades cotidianas, nós percorremos mais de 80 km todos os dias.
Cogitar a possibilidade de andar a mesma quilometragem a pé, ou de ônibus, é impossível hoje.
Mas a nossa zona de conforto pode ser mais desconfortável em outros aspectos.
Durante as nossas férias, eu relembrei minha infância.
E agradeci por não ter sido educada com uma zona de conforto tão confortável.
Eu percebi que o desconforto faz parte de crescer.
Faz parte do processo de se tornar independente.
De descobrir o nosso caminho.
E me questionei se eu não tenho protegido a pequena de viver.
Eu não quero que ela cresça sem saber amarrar o sapato.
Sem saber andar com as próprias pernas.
Sem saber que o mundo é maior do que o que eu e o papai apresentamos a ela.
Sem saber que a história dela, ela escreverá com a própria mão.

E por isso, filhota, se você estiver lendo o blog da mamãe, eu quero te prometer que eu não vou te proteger da vida.
Algumas vezes você ficará (se já não ficou) brava por eu encolher a sua zona de conforto.
Mas saiba que por mais que eu recolha minha mão para que você faça sozinha, eu estou exatamente ao seu lado.
E sempre estarei.
Te amo ao ponto de não te proteger daquilo que você não precisa de proteção.
Te amo ao ponto de te deixar viver!
Te amo ao ponto de te deixar crescer!




terça-feira, 23 de agosto de 2016

eu me apaixonei

Pois é, "eu me apaixonei" não era bem a frase que eu esperava ouvir da minha filha de 6 anos. 
Mas ela falou.
E eu ouvi.

A conversa aconteceu no caminho para uma festinha de aniversário.
E quero pedir que você imagine a cena.
Era noite.
Estávamos no carro, eu dirigindo, ela na cadeirinha atrás, exatamente atrás de mim.
Nosso contato visual se limitava ao retrovisor.
O papai estava em uma atividade e não pôde nos acompanhar, por isso, naquele instante, éramos ela e eu. 
Eu e ela.
O Spotify estava tocando uma playlist infantil.
Nada sugeria o tema da conversa que desenrolou a seguir:

Pequena: Mamãe, queria te contar uma coisa.
Eu: Claro, meu amor. Pode falar.
Pequena: Eu me apaixonei por um menino ontem.
Eu (com a maior voz de "estamos falando sobre o clima"): Sério? Como você descobriu que estava apaixonada?
Pequena: É que eu achei ele tãããããão lindo.
Eu: E como ele se chama?
Pequena: Ele se chama Luca, conheci no aniversário que fomos ontem. Naquele brinquedo de escorregar.
Eu: Entendi. E porque você acha que está apaixonada?
Pequena: Ah, porque eu fiquei encantada com o jeito dele. Sabe, mamãe, ele foi muito gentil comigo. Todas as vezes que a gente ia subir no brinquedo, ele olhava para mim e dizia: pode ir primeiro.
Eu: Puxa, filha, que legal! Faz tempo que você não encontra um amigo gentil. Alguns amigos na escola gostam de brincar de te assustar. Que bom que você conheceu o Luca ontem.
Pequena: É... eu fiquei encantada!
Eu: Concordo. E eu acho que você conseguiu perceber o sentimento direitinho: você ficou encantada.
Pequena: Mamãe.
Eu: Oi?
Pequena: Sabe o que mais?
Eu: O que?
Pequena: Ele tem Jesus no coração.
Eu: Que legal, eu também gostaria de ter conhecido o Luca, ele parece ser um garoto incrível.
Pequena: Quem sabe se a gente se encontrar quando eu for bem mais velha e já trabalhar, a gente não pode ser tão amigo que vire namorado, e depois se case. Igual a você e ao papai?
Eu: Quem sabe? Mas você não precisa se preocupar com isso. Tudo acontece no tempo certinho, e você pode aproveitar ser criança por bastante tempo.
Pequena: Mamãe, você é minha melhor amiga!
Eu: Você também é a minha melhor amiga, filha. Te amo!
Pequena: Também te amo!

Nós chegamos ao aniversário, ela saiu do carro com a maior cara de quem tem 6 anos de idade. 
Saiu correndo, dizendo que o aniversário estava incrível e que ela ama demais o amigo da festa.
E eu sai do carro catando cavaco. 
Tentado avaliar se tinha me portado bem naquela conversa, se tinha acolhido seu sentimento infantil, colocando o limite necessário, sem que ela se sentisse constrangida.
Fiquei pensando se eu permiti que ela continuasse criança, sem pressa de crescer. 
Mas essa pressa não é própria da infância?
Depois descansei.
E vou contar porque:
Ela se encantou por alguém que lhe tratou bem, com gentileza. Ela reconheceu nele características de um amiguinho de Deus (e pais do Luca, eu não os conheço, mas parabéns pelo filhote!). Ela colocou a ideia em perspectiva - quando eu crescer e estiver trabalhando, ela mostrou que admira o casamento dos pais. E num piscar de olhos, a conversa tinha acabado, e ela... bom, ela continuou sendo a criança incrível de sempre.
E eu aprendi que a gente pode sonhar com coisas importantes desde quando a gente é pequena.
E eu descobri que por enquanto ela quer dividir os sonhos comigo.





segunda-feira, 21 de março de 2016

it's just a moment this time will pass

Eu amo U2, sabe a banda irlandesa? 
Acho eles um máximo.
E tem uma música deles que se chama Stuck in a Moment You Can't Get Out Of, que foi lançada em 2002 e pertence ao álbum All That You Can Live Behind.
Bom, o álbum todo é muito bom, mas essa música em especial, mexe com o meu coração.
...........
Como eu disse há um tempo atrás, eu sou bem árvore. 
(Se você não leu e quiser ler, pode clicar aqui que você vai direto para o dia da minha confissão.)
Tenho dificuldade em pensar que uma mudança é transitória. 
Eu tendo a lidar com a mudança, como algo que se instalará permanentemente na minha rotina, na minha vida.
E adaptação parece ser a minha palavra da vez.
...........
Já faz algo perto de um mês que tenho alugado os ouvidos do papai da pequena (e do Papai do Céu também) com a minha sensação constante de não conseguir fazer as coisas andarem com naturalidade. 
A cada semana, sinto que minhas pernas não são grandes o suficiente para dar os passos que a minha rotina exige de mim: ser esposa, ser mãe, ser filha, ser amiga, ser profissional, ser estudante.
Eu vou percebendo que a cada dia, deixo uma(s) peteca(s) cair(em)
No dia seguinte, pego a(s) que caiu(ram) do chão e derrubo outra(s)
E assim, nada entra no seu devido lugar.
...........
E aí, eu volto à música.
O refrão expressa, com exatidão o meu sentimento:
You've got to get your self together (Você precisa se recompor)
You've got stuck in a moment and you can't get out of it (Você ficou preso a um momento e não consegue sair)
Don't say that later will be better (Não diga que mais tarde ficará melhor)
Now you've got stuck in a moment and you can't get out of it (Agora você ficou preso a um momento e não consegue sair)
E aqui estou euzinha presa a minha lamúria de árvore.
Derrubando todas as petecas. 
Cantando as lágrimas da minha autocomiseração.
E de repente, o Bono e seus amigos me dão uma lição daquelas.
Porque a música termina assim:
It's just a moment (É só um momento)
This time will pass (Esse tempo irá passar).
............
E aqui segue a minha reflexão:
Eu serei todas essas coisas (esposa, mãe, filha, amiga, profissional, estudante) por apenas um momento. 
Realmente é difícil quando todas essas coisas acontecem ao mesmo tempo.
Só que mesmo quando tudo parece nos sobrecarregar, ainda assim, é "só" um momento que irá passar.
Cabe a mim, a partir de agora, me recompor. 
Sair do ciclo vicioso da lamúria. 
E lembrar que como esse momento irá passar, eu preciso saber sorrir agora.
E eu espero - de coração - que isso seja mais fácil para você, porque confesso: isso é bem dureza para mim.
Mas vamos lá...
É só um momento, esse tempo irá passar...




terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

dentes moles

Você se lembra da sensação incrível que era ter um dente mole?
Daquele dente bem mole, balançando para frente e para trás na sua boca?
Daquela primeira evidência real de que você estava deixando para trás a vida de ser pequeno, e de começar a se transformar em um ser grande?
Nossa... eu tenho essa lembrança muito vívida em mim.
Eu quase não me aguentei de tanta alegria.
Era quase um "Toma essa, mundo! Tô grande!".
E eu cresci.
E eu não parei de crescer.
Eu fui com tudo, com toda a intensidade.
Fiz tudo com essa garra: "Agora, toma essa, mundo: já caíram todos os dentes e mais: cresceram todos os permanentes! Rá!". E depois: "Toma essa, porque agora eu sou mocinha. Rá!". E depois: "Toma essa, porque me formei.". E depois: "Já posso votar!"... "Já posso dirigir!"... "Já posso fazer faculdade!"... "Já posso me casar!"... "Já posso ser mãe!"
Espera.
Entre o meu primeiro dente mole e hoje, passaram-se 27 anos.
Mas eu sinto que foi como uma piscada de olhos.
Fechei os olhos com 5 anos, e abri com 32.
E quando eu abri, era a minha filha que estava com o dente mole.
E não estou pronta para vê-la crescer com a mesma obstinação que eu cresci.
Queria ela pequeninha.
Quero ela grande.
Quero ela para sempre.
Entende a contradição?
E mais importante, com ela, eu não quero mais piscar.
Quero estar de olhos bem abertos, pois não quero perder nenhum detalhe.
O tempo é traiçoeiro e deselegante, e como ele não respeitará a minha necessidade de congelar os momentos. Eu quero ser mais esperta que ele.
Para eu poder dizer: Toma essa, tempo! Eu vi e vivi tudo! Rá!
E a pequena puxou a mim.
Ela não tem um dente mole.
Ela tem 4.
Toma essa, mundo!
A minha pequena está crescendo.
Rá!



terça-feira, 1 de dezembro de 2015

o adulto dessa criança

Um dos passeios preferidos aqui em casa é ir em livrarias.
Nós amamos! Quando temos tempo, nós vamos às livrarias, escolhemos os livros e vamos lendo e formando uma pilha de livros. Aqueles que a gente mais gosta, a gente traz para casa.
Dia desses, estávamos numa livraria, sentadas no chão, com vários livros lidos e escolhendo mais alguns. E eu não pude deixar de escutar a conversa da vendedora com uma cliente.

Vendedora: Boa tarde, eu posso ajudar?
Cliente: Sim, estou procurando um presente para um sobrinho.
Vendedora: O adulto desta criança tem o hábito de ler para ela?

Nesse mesmo instante, ouvi um disco arranhado dentro de mim.
Oi? O "adulto dessa criança"?
Duas questões me saltaram à mente e soaram estranhas para mim.
A minha primeira foi de pensar que vivemos em um mundo tão chato, mais tão chato que já não é mais politicamente correto perguntar se os pais da criança gostam de ler para ela.
A segunda questão se relaciona com o fato de que a expressão "o adulto dessa criança" é profundamente desprovida de afeto. É como se não existisse nenhuma relação entre este adulto e esta criança. É uma relação impessoal. É como se qualquer adulto pudesse ser O Leitor para a criança.
Ler para uma criança é algo mágico, os olhinhos brilham, a imaginação voa solta. É um momento muito especial. E essa leitura mágica, só acontece quando há uma relação entre o leitor e ouvinte. Os contadores de história que me perdoem (amo levar a minha pequena para ouvi-los e ela ama ouvi-los), mas quando sou eu e/ou o papai que lemos a história... a reação é outra.
A conversa entre a vendedora e a cliente terminou assim:

Cliente: Sim, minha irmã lê bastante para ele.
Vendedora: Ah, que bom! Caso contrário, eu sugeriria para comprar um brinquedo. Ele aproveitaria mais sozinho.

Aí, me contorci inteira!
Atrás de uma expressão politicamente correta, se escondia uma conduta superficial. Se o objetivo é construir um futuro onde as crianças tenham o prazer de ler, mesmo que o pais ou demais responsáveis (me recuso a usar a expressão da vendedora) não tenham o hábito de ler para a criança, então, ganhar um livro é algo bastante sugestivo para adquirir o comportamento.
Enfim.
A pequena saiu da livraria depois de 10 livros lidos, gostou de todos, mas não amou nenhum para ler várias vezes. Ela veio com a cabeça cheia de histórias e com a imaginação aquecida.
Por outro lado, eu saí de lá com um barulho ensurdecedor dentro de mim: "o adulto dessa criança?" - não é isso que eu quero ser para a minha filha.
Eu quero sempre ser a mãe, A MÃE da minha filha.
Com todo afeto e limites que esta relação merece e deve ter.
E eu espero, com todo o meu coração, que você nunca seja o adulto de uma criança.

sábado, 21 de novembro de 2015

promessas de fim de ano

Sim, está certo!
Quero aqui fazer uma lista de promessas de fim de ano. Para, quem sabe, conseguir engatá-las no começo de 2016 e não fazer, dessas promessas, ideias bonitas que adormecem no dia primeiro de fevereiro, ou antes até.
A primeira promessa é voltar a ser eu mesma, se é que isso é possível, depois de tantos anos.
A segunda é organizar minhas prioridades, ordenado-as interna e externamente.
A terceira é continuar me mexendo, estou feliz descobrindo atividades físicas sem a pressão de uma academia (que eu acredito ser muito importante, especialmente pelos profissionais que nos auxiliam), mas pelo puro prazer de fazer algo.
A quarta é voltar a escrever com o coração, seja em forma de reflexão, seja em forma de carta, seja a forma que for, preciso voltar a estar em frente ao computador, não somente pela obrigação, mas pelo amor.
E a quinta, e última promessa, é aprender a descansar. Parece papo de auto ajuda, mas quem me conhece sabe que esta é a minha maior dificuldade, não sei fazer isso. Sempre fui admirada por descansar carregando pedras. Sempre ouvi que é isso o que mulheres fazem, que mães fazem. E estou esgotada. O duro é que não sei, ainda não aprendi, como recarregar, descansar, relaxar.
Enfim, metas de final de ano estabelecidas!
E é isso... será que consigo?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

lente de aumento

Ser mãe é uma beleza!
Onde está a beleza? Nas olheiras?
Onde está a beleza na roupa manchada?
Ou será que está na cara lambuzada?
Na casa desarrumada? 
Na roupa desengrainhada?
Na rotina exaurida?
Nos quilos a mais que insistem em ficar?
Eu não sei.
Só sei que é bonito, mesmo assim.

Sempre que me pego pensando na vida materna, me deparo com essas perguntas. Mas são perguntas da realidade, da dureza da rotina. Não dá para enfeitar o dia a dia, ele acontece e pronto. A gente se desgasta, mas ama. A gente não dorme, mas tem forças. A gente perde o sono, e escreve.
Talvez a rotina seja uma lente de aumento, daquelas bem potentes, que nos obriga a enxergar cada detalhe minúsculo da nossa história. De perto nada faz sentido, mas quando olhamos de longe tudo se encaixa, tudo se explica.
Quando damos um passo para trás, conseguimos ver um pouco melhor - não tudo, mas um pouco só. E percebemos que a nossa rotina é semelhante a de outros. Que nossas batalhas são tão parecidas. Que o nosso cansaço, não é só nosso.
E que apesar disso, a nossa vida é bem bonita, do jeito que ela é.
Hoje é meu último dia de férias, estou olhando minha rotina de longe. E de longe eu gosto dela.
Gosto de como está organizada. Gosto de como ela parece ser.
De perto, não gosto. Ela me cansa, me faz correr, me faz piscar e o dia passar.
Mas ela precisa existir, assim, do jeito que ela é.
Então, vou pegar minha lente de aumento e viver cada estranheza necessária.
Estou feliz por isso!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

e eu que nunca tinha queimado o arroz

Há quinze dias atrás, nós passamos por uma virose, mas o que era para ser simplesmente uma virose, se transformou na possibilidade de um diagnóstico muito grave, por um erro da pediatra, ela confundiu um quadro de virose com um quadro de insuficiência renal. Eu de fato surtei de desespero que a pequena realmente pudesse ter desenvolvido esse quadro, e chorei muito com a possibilidade de ela estar passando por isso. No fim, graças a Deus, era só virose mesmo, mas isso virou uma espécie de machucado dentro de mim, e tenho ficado cada vez mais apavorada a cada sintoma simples e comum a infância.
A cada aumento discreto de temperatura, a cada tosse mais forte, eu sinto tudo o que senti quando ouvi da médica que a pequena poderia estar com insuficiência renal. Tem sido muito ruim, tenho ficado meio maluca e tentando prever, antever, prevenir qualquer tipo de doença ou de sofrimento nela - ou em mim. 
Acontece que hoje de madrugada, ela acordou febril, eram 3:15 da manhã. Medimos a temperatura, demos o remédio, colocamos ela para dormir conosco, e controlamos a temperatura até amanhecer... Mas esse estado febril, dentro de mim, foi como um gatilho para o que eu já tinha vivido, minha preocupação foi maior do que era necessário. Fiquei mais cansada... Meu cansaço, somado ao meu medo aprendido, foi desastroso. 
Depois de tentar inutilmente dar uma cara normal para a nossa manhã, resolvi que estava na hora de tomar banho, a pequena tinha uma opinião diferente, para ela era hora de ficar conversando sentada no troninho, mas a banheira já estava cheia, o almoço já estava no fogo, não dava para o banho ser em outra hora. E assim começou a guerra, a manhã, o desespero, os sentimentos misturados, e quando me vi, eu tinha me transformado na pior mãe do mundo, eu gritava, gritava, gritava para ela parar de chorar, e ela se assustava com o meu grito e chorava mais, meus argumentos foram ficando piores e piores... Não bati nela, bati em mim, me soquei na verdade. Porque dentro de mim, estava o desespero do medo da febre da madrugada, o desespero de estar me transformando em alguém que detesto e o desprezo por mim mesma... Por fim, depois de dizer muita bobagem, e dela ter parado de chorar, e eu parado de gritar; tive um momento de lucidez e lembrei que o comportamento inadequado precisa sofrer consequências lógicas, ou seja, qual a relação dos meus gritos desesperados com a manhã e o choro que ela estava tendo? Nenhum, isso não ia e nunca vai resolver os meus problemas com a maternidade.
Então, mostrei para ela que a mamãe tinha perdido o chão, que eu não gosto jamais de ser essa pessoa que grita e esbraveja e fala coisas desnecessárias, disse a ela que eu pedia desculpas por ter agido de forma tão feia, e que prometia que nunca mais gritaria com ela daquele jeito, mas que o que ela fez também não foi bonito e que a mamãe estaria combinando uma consequência sempre que isso acontecesse. Ela entendeu e mais importante eu entendi.
Sabe, não é fácil escrever esse post, muito menos mostrar um lado meu, que nem eu gosto, mas acho que as feiuras precisam ser mostradas vez ou outra, principalmente para marcar mudanças, e quem sabe ajudar que outras não precisem passar pelo mesmo.
E eu que nunca tinha queimado arroz na minha vida, queimei! Ficou tudo preto na panela, mas quem sabe eu nunca mais volte a queimar também....

terça-feira, 4 de setembro de 2012

a polêmica do filho único

Hoje estou rompendo o silêncio, estou precisando de ajuda para pensar... Neste tempo que estive longe fui me ocupando de outras coisas, na verdade andei me ocupando de me adequar a todas as mudanças que vivi no início do ano. Além disso, estou começando a aprender que a vida de mãe é mais um aspecto da minha vida, e não o único, e tenho me lançado com bastante alegria a outros projetos, sem nunca me esquecer do meu lindo projeto de gente grande que está ao meu lado. Esse equilíbrio que estou buscando, tem suscitado uma discussão familiar (mamãe-papai): será que devemos ter outro filho?
Estamos bastante tendenciosos a definir que teremos unicamente a nossa pequena, sem a pretensão de acrescentar mais ninguém ao nosso clã, mas ao compartilhar isso com algumas pessoas super próximas temos recebidos reações diferentes.
Uns dizem que "só" um é pouco... Oi? Amigo, cê sabe quanto de trabalho dá cuidar de uma criança? E se você quer fazer do jeito certo (educar de verdade, alimentar de verdade, dar atenção de verdade, amar de verdade) o trabalho é intenso! Cês perceberam que eu falei de relacionamento interpessoal, nem mencionei a questão de quantos dinheiros custa cuidar de uma criança.
Outro falam que é judiação da pequena ser filha única, mas porque é judiação? Isso ninguém consegue me explicar, como estudo muito o desenvolvimento infantil, sei existem pesquisas provando que na sociedade atual e com a difusão da informação, o filho único pode ser estimulado socialmente e todos os mentes possíveis tal qual uma criança que tenha irmãos. Então vai sofrer de que jeito?
E aí quando começam a dizer sobre a importância do irmão para a criança, chove chavão! O mais velho vai aprender a dividir quando chegar o irmãozinho, fica mais fácil porque eles se distraem e sobra mais tempo pra você... E aí fico pensando que entonces o coitado do filho mais novo, vai chegar para ser a babá do mais velho e vice versa...
Ainda não chegamos a nenhuma conclusão, só estamos tendenciosos e pensativos... Até porque, ter filho ou não, não é uma coisa que se faz assim sem pensar... E aí? Topam pensar com a gente?

sexta-feira, 4 de maio de 2012

você deixaria?

Então, lá estava eu passeando pela internet e me deparei com esse vídeo. Eu ainda não sei se acho graça, ou se fico profundamente desesperada! Nem vou falar muito... Diz: você deixaria?


quinta-feira, 12 de abril de 2012

cadê meu terrorista?

Amo papear com mães, na verdade sempre gostei, mesmo antes da pequena nascer ficava horas batendo papo, ouvindo as pérolas do conhecimento materno, algumas preciosas, outras descartáveis, mas igualmente divertidas! Agora que sou mãe, curto ainda mais, justamente porque não estou só na condição de ouvinte (ou teórica), mas tenho vivido na prática "essa coisa de ser mãe".
Em um horário vago no consultório, me peguei compartilhando meu momento mãe, com uma amiga homônima que também é mãe. Estava dizendo à ela, que por mais que ame minha filhota, tem horas que oscilo entre querer estar muito pertinho (especialmente quando estou longe) e estar muito longe (quando estamos pertinho).
Ela com todo jeito sábio de mãe mais experiente (ela já é mãe de dois, muitos quilômetros de vantagem a minha frente), me falou que não deveria me preocupar com esse sentimento, ele é natural, e é típico da fase do educar (que não acaba nunca! TKS...). E ela me acalentou terminando da seguinte forma: "É mais fácil negociar com um terrorista, do que com uma criança pequenininha".
Desde então, a cada birra da pequena, eu fico chamando meu terrorista! 
Tô precisando de desafios mais fáceis ;)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

farinha, fermento, água e sal

Tem uma música da Palavra Cantada que tem me feito pensar de verdade numa série de coisas, a música é a da Bolacha de Água e Sal, conhece? Vou confessar que não sou muito fã dessa bolacha, eu prefiro a antagônica, com perfume, recheio, corante e calorias que tenho direito.
Mas sempre que a escuto, eu penso que a mensagem vai além do que incentivar a garotada a se empanturrar com a dita cuja, para mim (a adulta na relação) a intenção é mostrar que mesmo uma coisa simples como uma bolacha de água e sal, pode ser muito bacana, cheia de lembranças e coisas boas agregadas.
Em um determinado momento da música, a Sandra e o Paulo falam com todo o pulmão: "farinha, fermento, água e sal; simplicidade no trivial", eu começo a pensar quais são os ingredientes triviais, simplistas e fundamentalmente necessários no nosso dia a dia com a família.
Eu imagino que se realmente levasse a sério esse questionamento na minha vida, muita coisa que eu acho que preciso, ficaria no esquecimento. Porque talvez o trivial que minha filha precise receber de mim, pouco tenha a ver com as roupas que eu a visto, com os brinquedos que ela tem, mas sim com o tempo que ela passa comigo, com as atividades que fazemos juntas, com os valores que me empenho em viver e demonstrar a ela.
O interessante foi perceber que esse pensamento não perambulou só na minha cabeça, existem grupos de brechós nas redes sociais justamente para desapegar das coisas que as mamães achavam que precisavam a todo custo. Passeando pelos meus blogs preferidos, também encontrei esse desabafo no Potencial Gestante
Vou me esforçar de verdade, para trocar o passeio ao shopping, o ver TV, por atividades mais elementares, que tragam de fato a farinha, o fermento, a água e sal para minha relação com o papai, a pequena e as pessoas que me cercam! Sim, momento filosófico total! Mas já dizia o sábio: "penso, logo existo", ou fazendo uso da minha licença: "penso, logo existo, portanto cresço, mudo, amadureço, ou seja vivo!"

terça-feira, 3 de abril de 2012

todo dia ela faz tudo sempre igual

7:30 - Todo mundo de pé, mamadeira pronta, pequena na nossa cama tomando o "tete"
7:45 - Papai está indo à padaria, enquanto a Mamãe começa a arrumar as camas, e a pequena começa a brincar (leia-se espalhar) os brinquedos
8:00 - Papai e Mamãe estão terminando de tomar o café e o Papai está saindo correndo para ir trabalhar (ele já está atrasado)
8:05 - Mamãe troca a fralda da pequena
8:10 - Mamãe volta para a organização das coisas, e a pequena para a desorganização das coisas
8:11 - Mamãe liga a TV no Disney Junior na esperança que a Casa do Mickey prenda a atenção da pequena
8:15 - O Mickey não prendeu a atenção da pequena e ela abriu a gaveta da estante da sala e espalhou os dvds e cds pelo chão, ela também desconectou os cabos da tv...
8:20 - A Mamãe acabou de perceber o que aconteceu, brigou com o Mickey, mas não deu tempo de brigar direito porque o programa já está acabando
8:30 - A Mamãe começa a lavar a roupa e já pensar no que vai ter de almoço
9:00 - 10:00 - Mamãe arruma tudo de novo e só agora consegue trocar seu pijama, e troca a fralda de novo (o motivo da troca é desnecessário)
10:10 - Começam os preparativos para o almoço
10:30 - Panelas em polvorosa, enquanto a Mamãe tenta sentar para ler um livrinho com a pequena
11:00 - Corre pro banho todo mundo!
11:20 - Mamãe corre para ver as panelas
11:23 - Corre arrumar a pequena pra escola
11:35 - Depois de a pequena brincar de pega-pega na cama, agora dá para arrumar os cabelitchos
11:45 - Mamãe corre arrumar a lancheira, a mochila, a bolsa da mamãe, a mesa e o papa da pequena, e arrumar ela mesma (porque a mamãe não merece sair com carinha de bagaço - ainda que de vez em sempre eu saia)
12:00 - Pequena senta pra papar
12:20 - O Papai chega pra papar com a mamãe
12:35 - Hora de ir pra escola
13:00 - Pequena chega dormindo na escola
13:20 - Mamãe entra no trabalho
17:10 - Hora de buscar a pequena
17:50 - Hora do parquinho do prédio (quando ela chega acordada)
18:30 - Jantar
19:00 - 20:30 - Tempo de ficar com a pequena (ver TV, ler livro, brincar, fazer cosquinha, cantar musiquinha)
20:33 - Banho da pequena
21:00 - Hora do Naná (leia-se Dormir Graças a Deus)
21:30 - 23:59 - Atividades de casa (louça, passar roupa, verificar agenda, desfazer a lancheira, pegar a bagunça do fim do dia, escrever no blog e lembra da roupa que a mamãe lavou de manhã? Então, as vezes é agora que dá pra pendurar)
00:00 - Banho pra dormir

PS: E ainda tem gente que acha que porque estou em casa com ela de manhã minha vida é tranquila, tranquila... Pimenta no olho do outro é refresco, certo?


terça-feira, 27 de março de 2012

a pior mãe do mundo

Quem nunca ouviu falar em "culpa de mãe"? A "Culpa de Mãe" é aquele sentimento que consome as mulheres que já estão experimentando a maternidade, aliás em qualquer momento desta jornada este sentimento pode aparecer. As vezes ele vem por meio de uma situação simples, do tipo: eu deveria estar me alimentando melhor, pois meu bebê ainda está na barriga, ou o sentimento aparece quando seu bebê está com uma super mega cólica do caramba e você se lembra que não resistiu ao calor e se rendeu a um belo copo de Coca Cola.
Ou em tantas outras situações possíveis, exemplo é o que não falta! Já deu para ter uma idéia, certo?
Esse sentimento não é de todo ruim, ele faz a gente ponderar, ter um pouco mais de consciência e quem sabe até mesmo ter um pouco mais de maturidade.
Mas na ultima semana eu descobri um excelente remédio para esse sentimento tão aterrorizante: conversar com amigas que são mães! As vezes a gente se sente tão mal, que fica com vergonha achando que só a gente dá uma de louca com aquela pessoinha tão linda e angelical que amamos tanto! Mas quando somos capazes de entrar na roda e repartir a miséria, percebemos que somos apenas mães iniciantes (SEMPRE!), cada uma com uma situação delicada, desafiadora, e com o coração na mão tentando acertar...
Aliás, a máxima se torna verdadeira quando compartilhamos nossos momentos de piores mães do mundo: Mãe é tudo igual!

segunda-feira, 26 de março de 2012

baixa estima

Oi,

Hoje estou aqui para confessar a minha ausência súbita, sim tem muita coisa se ajeitando ainda, mas não foi esse o motivo. A verdade é que eu tenho sofrido de baixa estima sobre o blog... Vou explicar:
Eu sigo muitos blogs (leia-se muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuitos), e tem alguns (leia-se vaaaaaaaaaarios) que me encantam profundamente pela originalidade, pela linguagem, e por tanta coisa legal que é postada. Aí, passei por um tempo me questionando se vale a pena mesmo manter o blog, afinal tem tanta gente interessante por aí fazendo tanta coisa boa, que talvez seria melhor ficar no meu mundinho.
Se você está esperando uma conclusão, junte a nós! Ainda estou tentando chegar a uma conclusão, mas até lá vou continuar blogueando por aqui...
Bom, não é só de flores que se vive, certo? De dúvidas e crises também!

Beijocas

segunda-feira, 12 de março de 2012

o caso do chá de sumiço

Hoje, além de finalmente conseguir retomar o blog, estou comemorando a marca de 100 posts! E quero acima de tudo explicar o chá de sumiço...
Foram muitos motivos somados, o primeiro deles começou em dezembro do ano passado, papai e eu entendemos que estava na hora de realizar um sonho antigo, que se concretizou em 09 de fevereiro deste ano, este sonho (ainda preciso guarda-lo comigo) implicou na primeira mudança: de casa... Saímos do nosso apertamento, para ir morar em um apartamento. Oi? É isso mesmo que você entendeu, e nesse tempo fiquei sem televisão, sem telefone e sem internet.
O segundo motivo foi profissional, durante o mês de fevereiro inteiro preparei minha mudança de local de trabalho, o terceiro, quarto e outros motivos, foram se misturando a esses, ao ponto que em muitos momentos achei que não daria conta de me adaptar a tantas mudanças. Os prazos foram - sem querer - se sobrepondo, e   foi complicado manter a ordem e não deixar coisas importantes passar. Por isso precisei priorizar, ver o que realmente era indispensável, me desapeguei de um bocado de coisas e fui (ou melhor) fomos em frente. Estou em um apartamento cheio de caixas, um local de trabalho quase pronto, e tantas coisas ainda por fazer, mas estou feliz!
A Pequenininha participou de tudo, absolutamente TUDO mesmo! E ainda que inclui-la no processo tenha sido muito desafiador, tenho certeza de que foi a melhor maneira de lidar com as coisas, ela está super adaptada a tudo, e me dando muitos sinais de que está bastante feliz com tantas mudanças... 
Antes de me casar uma senhora muito querida me falou que a beleza de um casamento é a oportunidade de dividir todas as conquistas e sonhos com uma outra pessoa, e estou percebendo que esse princípio é igualmente verdadeiro quando ampliamos para os filhos.
E é isso aí! Estamos de volta e com pique total!!!


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

o que você anda fazendo?

Em dezembro, durante as ultimas comprinhas de Natal, encontrei com uma amiga de ensino médio. Nós estudamos juntas durante três anos, éramos muito próximas, mas o vestibular acabou nos afastando, ela queria Unicamp, eu queria Psicologia, e por fim áreas diferentes, faculdades diferentes e desde final de 2001 não nos víamos, mantivemos contato pelas redes sociais, então nós sabíamos dos grandes acontecimentos da vida uma da outra: casamentos (ambas), formaturas (ambas), filha (eu) e etc.
Quando nos cruzamos, foi uma alegria sem igual! E ela me perguntou: Ka, o que você anda fazendo? E dentre todas as coisas que eu fiz nesses últimos 10 anos, a única resposta que tive foi olhar para a pequena que estava em meu colo. Nem as palavras apareceram. Depois de alguns segundos, comecei a retomar algumas atividades, mas tudo parecia tão distante e insignificante perto de tudo o que tenho vivido como mãe, por fim seguimos cada uma seu passeio, e eu fiquei remoendo o que eu realmente deveria ter respondido... Até que descobri, que a minha resposta tinha que ser a que eu de fato dei.
Sem menosprezar todo esforço e dedicação de todos esses anos de trabalho, estudo, congressos e tantas outras coisas, mas ao receber a Isabela em minha vida, as prioridades mudaram, e que bom que mudaram! E por isso eu acabei descobrindo que ser mãe foi a realização mais importante da ultima década da minha vida...
E você o que anda fazendo?

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

o primeiro grande susto

Hoje eu vou escrever, não porque já aprendi e quero compartilhar, na verdade vou escrever porque preciso elaborar e processar os eventos. E quem sabe colocando "no papel" as coisas não ficam menos anuviadas. Sabe quando coisas isoladas se unem e dão forma a uma situação desastrosa?
Bom, tudo começou na quinta passada, não estava me sentindo muito bem, com uma sensação de que estava gripando, mas mesmo assim entrei na piscina com a pequena, pedindo a Deus que ela não ficasse doente por conta da água gelada. Pois bem, quem ficou doente fui eu. Na madrugada lá estava a mamãe iniciante delirando no alto dos 39º de febre.
No dia seguinte me arrastei, mas eu nunca fui boa nessa coisa de respeitar meus limites, e ainda sim tentei dar conta dos meus afazeres, o resultado disso foi a primeira visita ao hospital. A médica me disse que não era nada importante, estava apenas com a garganta vermelha, e que com apenas um antinflamatório tudo iria se resolver. Ok, eu acreditei.
Mas lembra da minha dificuldade em me respeitar? Então, fui trabalhar, preparar coisinhas, passar roupa, fui à igreja, e também fomos para o sítio da vó do papai para celebrar as 92 primaveras dela. Eu ainda não me sentia melhor, não conseguia comer e minha voz estava ficando cada vez pior.
Lá no sítio, a pequena começou a brincar e correr junto com um priminho, eu estava por perto, mas nem sempre a presença evita um acidente (lição nº1), ela pisou em falso, caiu e bateu a testa em uma mureta de cimento; cortou e sangrou feio. Papai acabou se desesperando, mas com calma consegui fazer ele e a pequena se tranquilizarem, e assim fizemos o segundo passeio ao hospital. Ela estava bem, apesar do corte, não perdeu a consciência, não teve vômito e nada de preocupante. Foi feito curativo (pontinho falso), uma série de raio x, e fomos liberados.
Voltando para casa, eu comecei a piorar pra valer. Febrão atrás de febrão, e aí fiz meu terceiro passeio ao hospital, a médica queria me internar para eu tomar a medicação intravenosa e melhorar mais rápido, mas eu preferi vir para casa. Pensa que eu ia conseguir ficar lá longe do papai e da pequena? E "era só" uma faringite bacteriana das bravas, nada que um antinflamatório e dois tipos de antibióticos diferentes não pudessem resolver. A noite passou, todos dormimos bem na medida do possível, a segunda prometia ser cheia de compromissos. Mal sabia o que me esperava...
Pela manhã, depois que a pequena tomou a mamadeira, ela tentou andar e caiu. Tentou ficar em pé, e caiu. Eu a peguei no colo, com o coração já na mão, e coloquei-a em pé, e ela desmontou. O papai tentou a mesma coisa, e de novo ela caiu. Foi o tempo de desmarcar todos os compromissos da manhã e correr para o hospital (visita nº4). Ao observá-la e por conta da batida na cabeça, o plantonista entendeu que o melhor seria interná-la e fazer uma tomografia.
E assim, começou o dia mais difícil que já vivi como mãe. Eu e papai tivemos que assinar uma série de papéis aceitando a possibilidade de óbito, caso fosse necessário o uso do contraste para a tomografia, ou que algo desse errado no momento da anestesia. Fazer o exame, vê-la anestesiada inerte, não vê-la andar e correr como sempre fez e me manter forte para enfrentar tudo isso, não foi nada fácil.
No finalzinho do dia, o resultado do exame chegou para nosso alívio, tudo normal. Aos poucos ela começou a andar e no cair da noite ela já estava correndo de novo. Tivemos alta no dia seguinte com a certeza de que ela estava bem, mas sem saber o que havia acontecido.
Eu ainda não melhorei completamente, e também não aprendi a respeitar minhas limitações como deveria, mas o susto passou, o pior já passou e não estou pronta para outra.
Não tenho uma grande lição, esse post é mais um desabafo, e por isso obrigada pelo ouvido! Já estou melhor...