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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Ainda dá para ser?

Durante esse tempo que estive longe (fiquei o mês de Março em silêncio) muita coisa aconteceu em casa, mas três coisas mexeram muito comigo. E demorei, ou ainda, estou demorando, em organizar as ideias. Vou tentar compartilhar, e com o perdão ao plágio descarado ao Dr Seuss quero apresentar as minhas: Coisa 1, Coisa 2 e Coisa 3.

Coisa 1: Li em um jornal uma reflexão sobre como tem sido comum as pessoas dizerem que "odeiam crianças" e em uma pesquisa bem rapidinha no Google, encontrei muitos (mas muitos, mesmo!) textos afirmando esse sentimento tão intenso dirigido às crianças.

Coisa 2: A professora da pequena me chamou para conversar, o motivo é que a pequena não é rápida o bastante para o 2º ano. Ela deveria copiar coisas das lousa em pouquíssimos minutos, ela deveria contar objetos muito rapidamente. Ela as vezes leva um tempo muito longo (20 a 30 minutos) para escrever 5 parágrafos a mão. 

Coisa 3: O responsável pelo condomínio onde eu moro decidiu que a rua não deve ser um espaço de brincadeira para as crianças, a justificativa é as pessoas não são obrigadas a gostar de compartilhar os espaços com elas.

Pode ser que olhando as coisas separadamente a gente ache que uma Coisa é uma Coisa, e outra Coisa é outra Coisa. Mas para mim, Coisa 1, Coisa 2 e Coisa 3 fazem parte de uma Coisa só. É uma Coisa bem grande, mas ainda sim é uma só: a desvalorização do ser humano.

Nossa, Karina... Que absurdo!
Juro que não... 

Quem diz que odeia criança, diz baseando-se no fato de que elas são inconsequentes, barulhentas, egoístas, e que dão muito trabalho. Que a vida com elas produz mais limitações e responsabilidades do que ganhos. As escolas, mesmo as que têm uma metodologia bacana, querem alunos produtivos, prontos, com habilidades de pessoas adultas já desenvolvidas. Os espaços de convívio têm sido categóricos, hoje em dia existem restaurantes, hotéis e condomínios que têm sido explícitos ao dizerem que não recebem crianças. As justificativas são as mesmas quem diz que as odeia.
Mas a pergunta que eu te faço é: os adultos também não são inconsequentes? Barulhentos? Egoístas? E dão muito trabalho? A vida de um adulto também não é limitada? E em nossa vida adulta não lidamos muito mais com responsabilidades do que ganhos?
Se nós pensarmos no cuidado (ou falta de cuidado) com o meio ambiente, os adultos têm sido bastante inconsequentes com o tema. A inconsequência também é vista no trânsito (espaço cuja responsabilidade é do adulto), nos hospitais (espaço comandado por adultos), na política (espaço gerido por adultos). Nós adultos, nas nossas relações, também não sabemos ser altruístas, calmos, otimistas e com equilíbrio.

As pessoas têm se esquecido que criança não é um ser separado da humanidade. 
Uma criança É um ser humano, que faz barulho (como os adultos, são barulhos diferentes, mas ambos podem incomodar), que diz o que pensa (como o adulto faz, e as vezes é melhor e mais coerente conversar com uma criança do que com um adulto teimoso), que as vezes é egoísta (e quem não é?), que dá trabalho (e o adulto não dá? Fale-me mais sobre como é cuidar de um amigo bêbado na balada? E como é fazer trabalho na faculdade com quem só quer que coloque o nome? E trabalhar na equipe com um funcionário que não quer fazer a sua função, é o sonho de todos nós, não é mesmo?).
A criança é um ser humano que está adquirindo habilidades e desenvolvendo competências, justamente para virar um adulto chato, como eu e você. E a palavra chave é "aprendendo". O problema de aprender algo novo, é que uma vez que a gente aprende, a gente esquece como era quando a gente não sabia, e numa dessas a gente acha que é ignorante quem ainda está aprendendo.
E num mundo de pessoas que se esqueceram de como era quando estavam aprendendo, não são desenvolvidas as capacidades de aprender, e não há espaço para errar, para tentar de novo, para viver o processo. 
Você só tem uma chance.
E com uma chance só não dá para ser criança. 
Com apenas uma chance, não se tem: nem tempo, nem espaço para aprender a ser humano.
Isto, por sua vez, gera pessoas não humanas, não que elas virem robôs, deixem de ser de carne e osso, não é isso. Mas como as crianças não tiveram tempo e espaço para descobrirem competências e valores, elas não oferecerão isso a ninguém. 

E assim, vive-se esse ciclo que estamos vivendo hoje com a Coisa 1, Coisa 2 e Coisa 3.
Quem odeia a criança, odeia a si mesmo.
A escola que deseja a criança pronta, advoga contra ela mesma, pois o seu papel é preparar e ensinar.
O espaço que proíbe a entrada da criança, limita a si mesmo.
E assim, vamos ficando sem opções para nos desenvolvermos como seres humanos.
Sem a chance de adquirirmos habilidades e competências para vivermos em sociedade.
Sem a chance de aprimorarmos os nossos seres.

Eu vou lutar contra isso, mas eu não acho que a reposta seja odiar de volta, proibir igual, e aceitar a exigência da falta de prontidão.
Eu vou tentar lutar contra isso, dando a minha filha competências, estimulando nela capacidades para estar nos lugares e respeitar o próximo, mostrando a ela que a gente sempre pode aprender e treinar novas habilidades como fazer mais rápido, ou caprichar mais, ou prestar mais atenção, e que isso não tem a ver com a cobrança de alguém, mas com a nossa vontade de ser melhor todos os dias.

E não vou fazer isso apenas na infância, mas sempre.
Eu faço isso comigo todos os dias.
Eu não quero emburrecer, odiar a mim mesmo, esquecer de como já fui ignorante, e de como ainda sou para tantas coisas que preciso aprender. 
Eu não quero perder o desejo de ser hoje alguém melhor do que fui ontem.
Eu não quero - por fim - deixar de ser um ser humano, e portanto, não quero que a pequena seja privada de ser.

Eu não sei onde você se encaixa nessa história toda, se você é quem está fazendo a Coisa 1, a Coisa 2, ou a Coisa 3. Ou se você está como eu, questionando e buscando uma alternativa a essas coisas.
Mas que independente de onde a gente esteja, que a gente seja capaz de lembrar que o MMC entre nós é que somos todos pessoas, ainda que sejamos crianças, adolescentes, adultos, idosos, brancos, negros, orientais, indígenas, cristãos, católicos, budistas, muçulmanos, umbandistas e tantos outros rótulos que a gente usa para esquecer que somos essencialmente e simplesmente pessoas.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

meus vinte (trinta) e poucos anos

"... nem por você, nem por ninguém, eu me desfaço dos meus planos
Quero saber bem mais que os meus vinte e poucos anos..."

Acordei com esse trecho da música "Vinte e Poucos Anos" na cabeça. 
Não sei explicar o porquê, ela simplesmente fez meus olhos abrirem pela manhã.
O curioso é que eu nunca a cantei...nem com o Fábio Júnior, nem com o Raimundos e menos ainda com o Fábio Júnior e o Fiuk. (Sim, fui procurar de quem era a música para poder escrever... a pós-graduação tem me ensinado bem, e procurar fontes e fatos fazem muito bem para qualquer reflexão).

Resolvi, então, ler a letra. 
Resolvi, então, ouvir a música inteira.
E ela fala se um sentimento de profunda clareza de planos, de sonhos, de expectativas.
E o trecho que me despertou é o refrão: nem por você, nem por ninguém.
E eu fiquei pensando... 

Ao mesmo tempo em que admiro esse tipo de pensamento, no sentido de que é preciso saber quais sonhos nos movem. E que legal ter essa clareza aos vinte e poucos anos.
Outra música, um outro trecho ecoa lá no fundo dos meus pensamentos... É preciso saber viver (cantada pelo Titãs e pelo Roberto Carlos, em coautoria com o Erasmo Carlos - ah! a aplicação do pensamento científico é uma coisa linda...rsrs... também fui procurar).

Enquanto uma é quase um hino de guerra: não abro mão de nada do que eu sonho para mim por ninguém. A outra me parece um hino de paz: "é preciso ter cuidado para mais tarde não sofrer...".
E isso me fez pensar na maternidade. Na minha família. No movimento que eu tenho observado no mundo.
Nós pais temos protegido tanto os nossos filhos. E ao mesmo tempo, temos sido tão egoístas.
Nós temos ensinado a eles a obstinação, a imaturidade dos vinte e poucos anos.
E pouco temos os lembrado da necessidade de saber viver.
Mas talvez a gente não tenha alcançado essa sabedoria ainda.

Eu tenho sonhos para mim. Muitos sonhos.
Eu sei que o papai tem sonhos para ele. Muitos que eu desconheço.
A pequena também já demostra ter planos e sonhos. E ela está apaixonada por descobri-los.
E eu não quero que a gente diga um para o outro: nem por você, nem por ninguém.
Eu quero que a gente seja capaz de dizer: vamos juntos?
Na tentativa de ir juntos, a rota não será uma linha reta.
Serão necessárias muitas curvas, muitas pedras no caminho.
Mas os meus trinta e poucos anos têm me ensinado que é melhor a curva acompanhada de quem se ama, do que a linha reta a sós.

A música do Fábio Júnior é real e tem seu lado positivo.
É bom que se tenha clareza e nitidez dos seus planos - aos vinte e poucos anos.
A música do Roberto e do Erasmo Carlos, também é real e tem seu lado admirável
É bom saber viver, em qualquer momento de sua história.
E como acordei musical, agora com meus trinta e poucos anos, pensando na minha história, na minha relação com a minha pequena, com meu marido e com as pessoas que eu amo.
Desejo de coração ter a maturidade de caminhar junto das pessoas que importam para mim, sendo capaz de "amar mais, chorar mais, ver o Sol nascer, arriscar mais, errar mais, fazer o que eu devo fazer, aceitar as pessoas como ela são, tendo a certeza de que cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração..." que eu também saiba "complicar menos, ver o Sol se pôr, me importar menos com problemas pequenos e morrer de amor", tal como sugere Epitáfio de Sérgio Britto, cantada pelo Titãs. 

PS: Só não vai dar para ecoar o trabalhar menos, porque por hora, tenho trinta e poucos anos, com filha para criar, sonhos para realizar, e vida para viver. O trabalhar menos, a gente deixa para depois. E tomara que se eu souber viver, o meu trabalho não irá roubar a alegria dos nossos dias.

PS de novo: se quiser ouvir as músicas e/ou ler as letras, é só clicar no nome da canção. Deixei o link para cada uma delas.


terça-feira, 23 de agosto de 2016

eu me apaixonei

Pois é, "eu me apaixonei" não era bem a frase que eu esperava ouvir da minha filha de 6 anos. 
Mas ela falou.
E eu ouvi.

A conversa aconteceu no caminho para uma festinha de aniversário.
E quero pedir que você imagine a cena.
Era noite.
Estávamos no carro, eu dirigindo, ela na cadeirinha atrás, exatamente atrás de mim.
Nosso contato visual se limitava ao retrovisor.
O papai estava em uma atividade e não pôde nos acompanhar, por isso, naquele instante, éramos ela e eu. 
Eu e ela.
O Spotify estava tocando uma playlist infantil.
Nada sugeria o tema da conversa que desenrolou a seguir:

Pequena: Mamãe, queria te contar uma coisa.
Eu: Claro, meu amor. Pode falar.
Pequena: Eu me apaixonei por um menino ontem.
Eu (com a maior voz de "estamos falando sobre o clima"): Sério? Como você descobriu que estava apaixonada?
Pequena: É que eu achei ele tãããããão lindo.
Eu: E como ele se chama?
Pequena: Ele se chama Luca, conheci no aniversário que fomos ontem. Naquele brinquedo de escorregar.
Eu: Entendi. E porque você acha que está apaixonada?
Pequena: Ah, porque eu fiquei encantada com o jeito dele. Sabe, mamãe, ele foi muito gentil comigo. Todas as vezes que a gente ia subir no brinquedo, ele olhava para mim e dizia: pode ir primeiro.
Eu: Puxa, filha, que legal! Faz tempo que você não encontra um amigo gentil. Alguns amigos na escola gostam de brincar de te assustar. Que bom que você conheceu o Luca ontem.
Pequena: É... eu fiquei encantada!
Eu: Concordo. E eu acho que você conseguiu perceber o sentimento direitinho: você ficou encantada.
Pequena: Mamãe.
Eu: Oi?
Pequena: Sabe o que mais?
Eu: O que?
Pequena: Ele tem Jesus no coração.
Eu: Que legal, eu também gostaria de ter conhecido o Luca, ele parece ser um garoto incrível.
Pequena: Quem sabe se a gente se encontrar quando eu for bem mais velha e já trabalhar, a gente não pode ser tão amigo que vire namorado, e depois se case. Igual a você e ao papai?
Eu: Quem sabe? Mas você não precisa se preocupar com isso. Tudo acontece no tempo certinho, e você pode aproveitar ser criança por bastante tempo.
Pequena: Mamãe, você é minha melhor amiga!
Eu: Você também é a minha melhor amiga, filha. Te amo!
Pequena: Também te amo!

Nós chegamos ao aniversário, ela saiu do carro com a maior cara de quem tem 6 anos de idade. 
Saiu correndo, dizendo que o aniversário estava incrível e que ela ama demais o amigo da festa.
E eu sai do carro catando cavaco. 
Tentado avaliar se tinha me portado bem naquela conversa, se tinha acolhido seu sentimento infantil, colocando o limite necessário, sem que ela se sentisse constrangida.
Fiquei pensando se eu permiti que ela continuasse criança, sem pressa de crescer. 
Mas essa pressa não é própria da infância?
Depois descansei.
E vou contar porque:
Ela se encantou por alguém que lhe tratou bem, com gentileza. Ela reconheceu nele características de um amiguinho de Deus (e pais do Luca, eu não os conheço, mas parabéns pelo filhote!). Ela colocou a ideia em perspectiva - quando eu crescer e estiver trabalhando, ela mostrou que admira o casamento dos pais. E num piscar de olhos, a conversa tinha acabado, e ela... bom, ela continuou sendo a criança incrível de sempre.
E eu aprendi que a gente pode sonhar com coisas importantes desde quando a gente é pequena.
E eu descobri que por enquanto ela quer dividir os sonhos comigo.





segunda-feira, 21 de março de 2016

it's just a moment this time will pass

Eu amo U2, sabe a banda irlandesa? 
Acho eles um máximo.
E tem uma música deles que se chama Stuck in a Moment You Can't Get Out Of, que foi lançada em 2002 e pertence ao álbum All That You Can Live Behind.
Bom, o álbum todo é muito bom, mas essa música em especial, mexe com o meu coração.
...........
Como eu disse há um tempo atrás, eu sou bem árvore. 
(Se você não leu e quiser ler, pode clicar aqui que você vai direto para o dia da minha confissão.)
Tenho dificuldade em pensar que uma mudança é transitória. 
Eu tendo a lidar com a mudança, como algo que se instalará permanentemente na minha rotina, na minha vida.
E adaptação parece ser a minha palavra da vez.
...........
Já faz algo perto de um mês que tenho alugado os ouvidos do papai da pequena (e do Papai do Céu também) com a minha sensação constante de não conseguir fazer as coisas andarem com naturalidade. 
A cada semana, sinto que minhas pernas não são grandes o suficiente para dar os passos que a minha rotina exige de mim: ser esposa, ser mãe, ser filha, ser amiga, ser profissional, ser estudante.
Eu vou percebendo que a cada dia, deixo uma(s) peteca(s) cair(em)
No dia seguinte, pego a(s) que caiu(ram) do chão e derrubo outra(s)
E assim, nada entra no seu devido lugar.
...........
E aí, eu volto à música.
O refrão expressa, com exatidão o meu sentimento:
You've got to get your self together (Você precisa se recompor)
You've got stuck in a moment and you can't get out of it (Você ficou preso a um momento e não consegue sair)
Don't say that later will be better (Não diga que mais tarde ficará melhor)
Now you've got stuck in a moment and you can't get out of it (Agora você ficou preso a um momento e não consegue sair)
E aqui estou euzinha presa a minha lamúria de árvore.
Derrubando todas as petecas. 
Cantando as lágrimas da minha autocomiseração.
E de repente, o Bono e seus amigos me dão uma lição daquelas.
Porque a música termina assim:
It's just a moment (É só um momento)
This time will pass (Esse tempo irá passar).
............
E aqui segue a minha reflexão:
Eu serei todas essas coisas (esposa, mãe, filha, amiga, profissional, estudante) por apenas um momento. 
Realmente é difícil quando todas essas coisas acontecem ao mesmo tempo.
Só que mesmo quando tudo parece nos sobrecarregar, ainda assim, é "só" um momento que irá passar.
Cabe a mim, a partir de agora, me recompor. 
Sair do ciclo vicioso da lamúria. 
E lembrar que como esse momento irá passar, eu preciso saber sorrir agora.
E eu espero - de coração - que isso seja mais fácil para você, porque confesso: isso é bem dureza para mim.
Mas vamos lá...
É só um momento, esse tempo irá passar...




sábado, 20 de fevereiro de 2016

as mais ouvidas

Um dia desses, nós saímos para passear num shopping e decidimos almoçar em um restaurante. E, especialmente naquele dia, a pequena estava com audição seletiva. Sabe, quando escuta só que quer?
Isso normalmente é uma chatice, porque causa uma repetição infinita de frases, tanto da minha parte, quanto da parte do papai.
Tudo que falávamos era respondido com um: "Quê?"
Enquanto esperávamos a refeição chegar, a pequena soltou:
- Nossa, você só falou a mesma coisa hoje! 
E aí, resolvemos brincar com isso e fizemos uma lista com as coisas que ela mais ouviu de nós. 
Demos muita risada.
Foi divertido perceber como é que as nossas orientações e conversas ficaram guardadas para ela.
Realmente, a audição estava seletiva, ela guardou só o que era importante.



PS: Como o mundo anda muito chatoestranho, delicado, já vou me antecipar e fazer uma explicação para que não exista nenhuma má interpretação. Sabe aquele cheirinho de criança suada, aquele perfuminho de quem brincou e foi feliz para valer? Nós chamamos de cheirinho de macaquinho. Isso, aqui em casa, é um elogio. O cheirinho de macaco é um perfume que só quem viveu de verdade todas as brincadeiras do dia pode ter! A gente sempre termina dizendo que esse cheirinho será guardado em um potinho, para perfumar a nossa vida todos os dias. E para nós, esse cheirinho é uma delícia de verdade.
PS do PS: Outra explicação é sobre a frase "não mexe nas coisas", como a pequena é da geração touch, ela acha que tudo é de colocar a mão. Por exemplo, quando entra num banheiro público, ela faz questão de tocar tudo (TUDO), o mesmo vale quando ela entra em uma loja, restaurante e lugares desse tipo. Então, é uma questão de higiene e de respeito por aquilo que não é nosso. Não é uma frase que tolhe as oportunidades de exploração do ambiente. 
Beijos

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

e não é que é lindo?

Preciso confessar que sou péssima para me adaptar à mudanças.
Não é que eu tenha "apenas" uma dificuldade. 
É que é super-mega-duper-blaster difícil para mim.
Por isso eu tendo a ser o mais estável possível.
Se fosse necessário fazer alguma comparação entre mim e algum outro ser vivo, eu diria que me assemelho à uma árvore.
A dificuldade não diz respeito apenas a mim, ou seja, a mudar a mim mesma; mas também se refere à mudança dos outros.
Respeito grandemente os processos pelos quais as pessoas passam - e que eu mesma já passei e passo; mas mudanças bruscas, que demandam muita flexibilidade emocional, física e de padrões, normalmente são estressantes, potencialmente depressoras, e agravam exponencialmente minha ansiedade.
Por exemplo, mesmo depois de dois anos morando num novo endereço, não consigo me lembrar do número do CEP. Ou mesmo, do número da casa. Tenho dificuldade em conviver com pessoas que mudam de opinião muito rápido, do tipo hoje: "te amo", amanhã: "te desprezo".
Mas a maternidade... ah, a maternidade... ela exige de mim uma flexibilidade que eu nunca tive, mas que me disponho a exercitar.
Desde o primeiro momento, cada vez que eu achei que tinha aprendido a jogar, a pequena veio e espalhou as peças do jogo. 
Quando eu começo a curtir uma mudança, lá vem outra.
Essa semana, ela estava assistindo televisão, e começou a passar uma música. 
Você conhece, sabe aquela: "Meu lanchinho, meu lanchinho: vou comer! Vou comer!"... Então. 
Eu achei que, como sempre, ela cantaria junto.
Só que ela me mostrou que ela mudou, de novo!
A resposta foi: 
- Nossa, mamãe, me deu uma vergonha essa música.
Hoje, nós estávamos voltando da escola, e eu perguntei se ela havia encontrado a professora do ano passado. Ela sempre amou reencontrar as professoras dos anos anteriores, mas esse ano:
- Não, né mamãe!? A professora está com os bebês.
Eu assustei, porque a professora do ano passado sempre fica com a última série do infantil. E disse:
- Nossa! Por que será que a sua professora do ano passado está com os bebês?
E ela:
- Não, mamãe! Ela continua no mesmo infantil. Eu é que não sou mais infantil.
Meu coração partiu. 
Minha ansiedade aumentou. Comi a tarde inteira.
E eu me peguei revendo fotos de quando ela era apenas um bebê, quando ela era o meu pacotinho cheiroso. 
E fiquei tentando encontrar nessa menina moça aquela pessoinha que eu conheci.
A amo de todas as formas, bebê, infantil, não mais infantil e grande.
Meu amor, diferente de mim, tem flexibilidade o bastante para isso.
Uma hora eu aprendo com ele.
Mas voltando a minha comparação com a árvore. 
Mesmo uma árvore sofre mudanças. 
Ela troca as folhas. Ela dá flores e frutos. Ela abriga passarinhos e outros animais. E depois faz tudo isso, de novo e de novo.
Talvez eu, como árvore-mãe, estou fazendo florescer e dando frutos. 
As flores e frutos, por sua vez, nascem pequenininhos, crescem, "descem" da árvore e vão cultivar suas raízes em outro lugar. 
Acho que é isso que estou vivendo. 
E que a pequena também está.
Em algumas horas é mais fácil.
Em outras, é mais difícil.
E não é que tudo isso é lindo?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A/C da mãe da Agatha e do André

Querida mãe da Agatha e do André,

Tudo bem? 
Não sei se é assim que devo escrever o nome da Agatha, mas como a minha mãe é super fã da Agatha Christie, fiquei com essa referência; se não for me perdoe é uma grafia afetiva, se é que isso existe.
Eu quis te escrever porque você tocou profundamente a minha vida, e acredito que você nem imagine. E talvez nunca venha a imaginar.
Nós nos encontramos, por no máximo 10 minutos, no banheiro familiar de um shopping center. 
Você caminhava à minha frente com seus filhos, e eu fui levar minha pequena que estava apertada, para o mesmo lugar que você estava indo. 
Eu notei você antes de nos encontrarmos porque você tinha um bebê no colo, mais uma mala de troca ao ombro. E ainda tinha uma criança pulando de alegria segurando a sua outra mão.
Quando eu a vi, sinceramente, senti compaixão. 
Pensei comigo, puxa que difícil, uma criança maior pulando, um bebê ao colo, mais uma mala pesada, é muita coisa para equilibrar. Isso numa praça de alimentação cheia de pessoas carregando bandejas, andando apressadas para lá e para cá.
Quando chegamos ao banheiro familiar, você já tinha se organizado para trocar a fralda do André. Eu e a pequena já estávamos lavando as mãos para irmos embora, quando você me pediu ajuda.
A sua pequena também estava apertada.
Ele estava no trocador e eu não sabia muito bem o que fazer. 
E você começou a conversar comigo, me explicou que sua família estava almoçando e que vocês (você, Agatha e André) já haviam almoçado. Você me perguntou como a pequena se chamava, e carinhosamente a chamou pelo diminutivo que mais gosto: Bela.
Em seguida, você me perguntou se a pequena era filha única, mas você fez isso com toda a delicadeza, sem cobranças, sem julgamentos. E me contou que a diferença de idade entre seus filhos é exatamente a diferença que eu teria entre dois filhos, caso eu decidisse engravidar mais uma vez.
Enquanto isso, o André me olhava com uma carinha de sapeca e sábio ao mesmo tempo, fazendo meu coração derreter de tanto amor. Foi a segunda vez que um André alcançou o meu coração assim. O primeiro foi o meu marido.
Você chamou a sua filha e pediu para ela ensinar a minha a como pedir um irmão para o Papai do Céu. Enquanto isso, a Isabela se derretia pelo André, dizendo que seria muito legal ter um irmão e que faria como a Agatha ensinou.
Você o tempo todo sorriu sinceramente, foi grata e me disse que eu tinha sido um anjo para você naquele momento. 
Eu sorri.
Mas a verdade é que o anjo foi você.
Antes do nosso encontro, a imagem que eu sempre tive de mães de dois, era de uma mãe esgotada, triste e exaurida pelo trabalho de ter dois filhos. Sempre tive medo disso. Não é assim que eu quero ser.
Ao te conhecer, ao ver sua delicadeza, sinceridade e leveza em lidar com as duas crianças, todos os meus medos escapuliram de dentro de mim.
Você - que eu nem mesmo sei o nome - se tornou um alguém muito especial.
Eu não sei se um dia eu serei mãe de duas crianças, mas quero - mesmo sendo de uma "só", ter em meu rosto o sorriso sincero, a delicadeza e a tranquilidade que vi em você.
Eu só segurei o André para você acompanhar a Agatha, mas quem foi ajudada de verdade, fui eu.
E serei eternamente grata!
Muito obrigada.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

hoje é o último dia de aula da pequena

Hoje é o último dia de aula da pequena.
Ano que vem ela começa o Ensino Fundamental 1, ela vai para o primeiro ano.
Um minuto de silêncio pela mãe que está em luto luta para descobrir como foi que os anos passaram tão rapidamente.
Obrigada.
Ela está curtindo ser grande, apesar de "sentir falta dos carinhos de bebê" - palavras dela mesma, saídas da boca dela, inventadas pela cabeça dela própria.
E eu estou curtindo ela grande, apesar de sentir muita falta daquela pequenininha que conheci há 5 anos atrás.
Ela se recusa a doar os brinquedos de bebê, e eu não vou forçar, eu ainda não consegui me desfazer nem do carrinho de bebê que continua no porta malas do carro.
Entendo-a bem.
Tem gente que me cobra um segundo filho, como se a saudade que eu sinto dela pequenininha fosse passar por ter um outro bebê.
Na minha opinião, a saudade só aumentaria com o tempo, pois seriam dois bebês para "saudadear".

Hoje é o último dia de aula da pequena.
Ela já sabe ler, já escreve foneticamente, sabe? Tipo escreve o som que ela escuta.
É tão fofo!!!
Ontem ela escreveu KONI (cone), BADEDI (band aid) e MUZIKA (música).
Ela também já faz pequenas adições, e está começando a compreender a subtração.
Ela já sabe se trocar sozinha, escovar os dentes sozinha, comer sozinha, se enxugar sozinha.
Ela já nada, toca piano e está aprendendo a língua inglesa.
Que pessoinha linda ela é.

Hoje é o último dia de aula da pequena.
Ela cresceu, e eu vi isso acontecer todos os dias.
Eu cresci, e eu vi isso acontecer todos os dias, também.
Ela cresceu, eu só não percebi.
Eu cresci, e só percebi agora.


sábado, 5 de dezembro de 2015

prêmio melhor mãe do ano

Dezembro é um mês recheado de festividades.
Temos os encontros de fim de ano das firmas, temos os famigerados amigos secretos, temos as apresentações escolares, temos os festivais dos esportes, as apresentações culturais e muitas outras comemorações lindas.
Mas existe uma premiação ultra secreta, que também acontece no mês de Dezembro, na qual uma única mãe no mundo todo recebe o desejado título de mãe do ano.
Eu, até hoje, só fui indicada a este título uma única vez.
Lembro-me com carinho de Dezembro de 2009.
Quando recebi o envelope de indicação, eu estava grávida pela primeira vez, cheia de sonhos, desejos e teorias perfeitamente selecionadas.
Quanta alegria! Foi uma honra ser indicada.
Mas não ganhei.
E não sei quem ganhou.
Ouvi dizer que as identidades das mães que são agraciadas com o título, são protegidas pelas agências de segurança mais importantes do mundo.
Reza a lenda que as mães fazem parte de uma espécie muito feroz e agressiva, que muitas vezes julgam com voracidade umas as outras, e por esta razão, os criadores da premiação optaram por proteger a identidade das ganhadoras.
Mas voltando a minha indicação.
Desde àquele Dezembro de 2009, eu nunca mais fui nomeada.
Mas todos os anos, me esforcei grandemente e arduamente, para desempenhar meu papel de melhor mãe do mundo. Para que no momento em que eu finalmente recebesse a honraria, eu teria a minha consciência tranquila de que eu realmente a merecia.
O que eu preciso contar é que em Dezembro de 2009, eu achava que teria um menino - seria o Enzo, ou o Felipe, ou o Pedro, ou o Davi - eu não sabia o nome da criança. Isso me custou menos 10 pontos na avaliação final.
Naquele Dezembro, os presentes de Natal foram um carrinho roxo e um vestidinho (que a vovó comprou achando que era um body). Isso me custou mais 30 pontos. Eu cogitei pedir um nova contagem, até porque alguns meses depois do Natal, eu descobri que teria uma menina e não um menino. Então, não foi algo tão grave assim.
As minhas teorias sobre os cuidados gestacionais, parto e cuidados com o bebê, eram coerentes com os ensinamentos dos livros, mas não eram aplicáveis a realidade de ser de fato uma mãe de verdade. Eu acho que isso foi dureza de julgamento dos juízes, afinal eu ainda não tinha experiência.
Por fim, minha colocação foi prejudicada. E eu perdi.
Passaram-se 2010, 2011, 2012, 2013 e em Dezembro de 2014, quando mesmo fazendo todo o esforço para receber o título de melhor mãe do mundo, já exaurida de tantas regras, tantas ordens, tantas ansiedades, medos e culpas e ainda assim, novamente sem a indicação para o prêmio. Eu tomei uma decisão.
Não vou me candidatar.
E vivi 2015 assim, sem mirar o prêmio.
Eu acudi só as coisas que eu realmente conseguiria acudir.
E para as coisas que eu esqueci, ou não que dei conta, pedi ajuda.
A mancha do uniforme não saiu na primeira, na segunda, ou mesmo, na terceira lavagem? Sem problemas, vai de uniforme manchado para escola. A propaganda do sabão em pó fala que criança feliz é criança suja. Beleza, vou acreditar.
A escola mandou bilhete avisando que precisa de latas de leite em pó, mas a gente não toma leite em pó em casa. Antes, desespero. Em 2015, pedi ajuda no milagroso grupo de mães da escola. A pequena fez a atividade com o patrocínio latístico da família de um amiguinho da classe.
Os prazos da escola, da natação, da vida e da rotina foram atendidos quando possíveis, e não no primeiro dia após a solicitação. Perdi alguns prazos, mas priorizei aqueles que eram mais importantes. E os que eu perdi, eu dei conta de arcar com as consequências.
Foi MUITO difícil para mim me desapegar do prêmio tão almejado por tantos anos.
Mas a minha confissão mais verdadeira é que foi mais leve.
Essa semana, conversando com a professora da pequena, me desculpei pelas milhares de falhas no ano, e disse que esse ano tinha certeza de que não seria ao menos indicada ao prêmio de melhor mãe do ano. E ela me acolheu.
Ela me disse que ela também não estava concorrendo. E que ela já tinha sido avisada que parar de entrar na disputa é o melhor sinal de saúde que uma mãe pode ter.
Então, é isso.
Mais um Dezembro chegou e eu não fui indicada à premiação.
E, hoje, estou muito feliz com isso!
Um brinde à saúde!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

o adulto dessa criança

Um dos passeios preferidos aqui em casa é ir em livrarias.
Nós amamos! Quando temos tempo, nós vamos às livrarias, escolhemos os livros e vamos lendo e formando uma pilha de livros. Aqueles que a gente mais gosta, a gente traz para casa.
Dia desses, estávamos numa livraria, sentadas no chão, com vários livros lidos e escolhendo mais alguns. E eu não pude deixar de escutar a conversa da vendedora com uma cliente.

Vendedora: Boa tarde, eu posso ajudar?
Cliente: Sim, estou procurando um presente para um sobrinho.
Vendedora: O adulto desta criança tem o hábito de ler para ela?

Nesse mesmo instante, ouvi um disco arranhado dentro de mim.
Oi? O "adulto dessa criança"?
Duas questões me saltaram à mente e soaram estranhas para mim.
A minha primeira foi de pensar que vivemos em um mundo tão chato, mais tão chato que já não é mais politicamente correto perguntar se os pais da criança gostam de ler para ela.
A segunda questão se relaciona com o fato de que a expressão "o adulto dessa criança" é profundamente desprovida de afeto. É como se não existisse nenhuma relação entre este adulto e esta criança. É uma relação impessoal. É como se qualquer adulto pudesse ser O Leitor para a criança.
Ler para uma criança é algo mágico, os olhinhos brilham, a imaginação voa solta. É um momento muito especial. E essa leitura mágica, só acontece quando há uma relação entre o leitor e ouvinte. Os contadores de história que me perdoem (amo levar a minha pequena para ouvi-los e ela ama ouvi-los), mas quando sou eu e/ou o papai que lemos a história... a reação é outra.
A conversa entre a vendedora e a cliente terminou assim:

Cliente: Sim, minha irmã lê bastante para ele.
Vendedora: Ah, que bom! Caso contrário, eu sugeriria para comprar um brinquedo. Ele aproveitaria mais sozinho.

Aí, me contorci inteira!
Atrás de uma expressão politicamente correta, se escondia uma conduta superficial. Se o objetivo é construir um futuro onde as crianças tenham o prazer de ler, mesmo que o pais ou demais responsáveis (me recuso a usar a expressão da vendedora) não tenham o hábito de ler para a criança, então, ganhar um livro é algo bastante sugestivo para adquirir o comportamento.
Enfim.
A pequena saiu da livraria depois de 10 livros lidos, gostou de todos, mas não amou nenhum para ler várias vezes. Ela veio com a cabeça cheia de histórias e com a imaginação aquecida.
Por outro lado, eu saí de lá com um barulho ensurdecedor dentro de mim: "o adulto dessa criança?" - não é isso que eu quero ser para a minha filha.
Eu quero sempre ser a mãe, A MÃE da minha filha.
Com todo afeto e limites que esta relação merece e deve ter.
E eu espero, com todo o meu coração, que você nunca seja o adulto de uma criança.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

por quê disso tudo?

Eu sei que você deve ter um pequeno ou uma pequena curiosa na sua casa. E por isso, acho que você vai me entender.
Minha pequena, que hoje tem 5 anos, busca entender o motivo ou a razão para tudo, e isso acontece o tempo todo. Há uns dias atrás ela ganhou uma lembrancinha que uma amiga minha trouxe de viagem. A pequena não se conformou: - Por quê ela me deu isso? Eu amei tanto, mas por quê esse presente? Outro exemplo, foi a cirurgia que meu pai fez nos olhos: - Por quê ele ficou com os olhos doentinhos? As vezes a resposta já está na própria explicação que eu dou: - Filha, por favor, tira o copo da beiradinha da mesa, ele vai cair. E ela prontamente lança: - Mas por quê o copo vai cair?
E a minha reação depende da lua do céu, tem dias que tenho toda a disposição do mundo para explicar cada detalhe, como: Filha, a titia te ama muito e lembrou de você durante o passeio e quis te fazer uma alegria. Tem dias, que a lua está mais sombria, e a minha resposta é um simples "porque sim" ou "porque não". E ainda existem os dias mais horripilantes, e aí a minha resposta é "porque eu sou sua mãe e pronto!".
Tem momentos na vida que é difícil entender o porquê das coisas, mesmo das boas, quanto mais das ruins. Por exemplo, por quê a gente ganha alguns presentes de Deus? Tipo uma semana de chuva forte e farta em meio a uma seca castigante. Ou como podemos entender eventos ruins como os atentados terroristas e as guerras pelo mundo, a violência e a corrupção do nosso país.
Quando era criança tinha uma propaganda de você sabe o quê que dizia "Eu não tenho todas as respostas, mas posso fazer todas as perguntas". Eu sempre revirava os olhos!
De que me adianta a pergunta não respondida?
Será que tudo realmente tem uma razão, e não existem acidentes?
Será que não existe o "porque sim" e o "porque não"?
Ou será que sim, existem?
Será que nos falta argumentos e justificativas?
Ou será que na verdade não há a necessidade para tantas perguntas?
Quando é que a gente aprende a filtrar os nossos questionamentos?
Ou será que a gente nunca pára de questionar, só muda o destinatário da pergunta?
Mas por quê?
Por quê?

sábado, 21 de novembro de 2015

promessas de fim de ano

Sim, está certo!
Quero aqui fazer uma lista de promessas de fim de ano. Para, quem sabe, conseguir engatá-las no começo de 2016 e não fazer, dessas promessas, ideias bonitas que adormecem no dia primeiro de fevereiro, ou antes até.
A primeira promessa é voltar a ser eu mesma, se é que isso é possível, depois de tantos anos.
A segunda é organizar minhas prioridades, ordenado-as interna e externamente.
A terceira é continuar me mexendo, estou feliz descobrindo atividades físicas sem a pressão de uma academia (que eu acredito ser muito importante, especialmente pelos profissionais que nos auxiliam), mas pelo puro prazer de fazer algo.
A quarta é voltar a escrever com o coração, seja em forma de reflexão, seja em forma de carta, seja a forma que for, preciso voltar a estar em frente ao computador, não somente pela obrigação, mas pelo amor.
E a quinta, e última promessa, é aprender a descansar. Parece papo de auto ajuda, mas quem me conhece sabe que esta é a minha maior dificuldade, não sei fazer isso. Sempre fui admirada por descansar carregando pedras. Sempre ouvi que é isso o que mulheres fazem, que mães fazem. E estou esgotada. O duro é que não sei, ainda não aprendi, como recarregar, descansar, relaxar.
Enfim, metas de final de ano estabelecidas!
E é isso... será que consigo?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

lente de aumento

Ser mãe é uma beleza!
Onde está a beleza? Nas olheiras?
Onde está a beleza na roupa manchada?
Ou será que está na cara lambuzada?
Na casa desarrumada? 
Na roupa desengrainhada?
Na rotina exaurida?
Nos quilos a mais que insistem em ficar?
Eu não sei.
Só sei que é bonito, mesmo assim.

Sempre que me pego pensando na vida materna, me deparo com essas perguntas. Mas são perguntas da realidade, da dureza da rotina. Não dá para enfeitar o dia a dia, ele acontece e pronto. A gente se desgasta, mas ama. A gente não dorme, mas tem forças. A gente perde o sono, e escreve.
Talvez a rotina seja uma lente de aumento, daquelas bem potentes, que nos obriga a enxergar cada detalhe minúsculo da nossa história. De perto nada faz sentido, mas quando olhamos de longe tudo se encaixa, tudo se explica.
Quando damos um passo para trás, conseguimos ver um pouco melhor - não tudo, mas um pouco só. E percebemos que a nossa rotina é semelhante a de outros. Que nossas batalhas são tão parecidas. Que o nosso cansaço, não é só nosso.
E que apesar disso, a nossa vida é bem bonita, do jeito que ela é.
Hoje é meu último dia de férias, estou olhando minha rotina de longe. E de longe eu gosto dela.
Gosto de como está organizada. Gosto de como ela parece ser.
De perto, não gosto. Ela me cansa, me faz correr, me faz piscar e o dia passar.
Mas ela precisa existir, assim, do jeito que ela é.
Então, vou pegar minha lente de aumento e viver cada estranheza necessária.
Estou feliz por isso!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

por uma experiência materna mais humanizada

Meu tema de reflexão dos últimos meses anda sendo: que alvo de maternidade tenho buscado? Parece complexo - e de fato é, mas pensar sobre isso tem um impacto prático nos meus dias. Tudo começou com umas fotos engraçadas no facebook, que mostram como as pessoas acham que é ser mãe, como a família acha que é, como o pai... e no fim mostra como é de verdade... E não é só para as situações maternas que existe essa brincadeira, tem de monte.
Isso me provocou as ideias, e comecei a pensar e pensar e pensar... Como é que nos dizem que devemos ser mães? Comecei a ler um livro muito legal, que se chama "A culpa é da mãe" - divertidíssimo, a autora conta sobre a experiência materna da sua avó, da sua mãe e de como ela mesma é mãe, e fui percebendo que em cada época o conhecimento sobre o desenvolvimento humano era de um jeito, que as cobranças sociais eram outras, que as expectativas quanto ao futuro também eram outras. Isso não significa que eram melhores, ou que a nossa é melhor. Eram apenas diferentes.
Mas cá estou eu, uma geração depois da autora do livro (que hoje já é avó), e tenho me perguntado como é que hoje me pedem para ser mãe... E consigo pensar em algumas coisas:

1. Hoje mãe precisa ser inesgotável. A partir das orientações dos profissionais, quando o nenê nasce você tem que ficar a disposição da amamentação, da confecção da papinha, do estímulo cognitivo, social, motor e isso só pensando na relação com a criança.

2. Hoje você não pode se descuidar. Jamais alguém pensa que uma mãe é feliz se ela estiver com a aparência desleixada, de jeito nenhum. Boa mãe está sempre arrumada, de roupa limpa, de cara descansada e feliz - e de preferência: MAGRA!

3. Hoje não tem meio termo profissional: ou você é uma mãe egoísta e trabalha, ou você é uma esposa folgada e não ajuda financeiramente em casa. Ah, tem uma terceira opção: se você tenta conciliar o trabalho no horário da escola dos filhos, você não trabalha, você tem uma distração.

4. Hoje você não pode esquecer que antes de ser mãe, você é mulher. Seu marido não pode perder o interesse em você, então depois de você ter acordado 5 vezes na madrugada, ter dado de mamar 12 vezes no dia, caminhado uma hora da esteira com a criança pendurada em você, depois de você ter feito papinha, almoço de gente grande, limpado, lavado, dado banho, estimulado, trabalhado... Você ainda tem que ter pique para ir para um jantar romântico, conversas profundas e juras de amor. 

5. Hoje você não pode esquecer da vida social, afinal de contas é vendo que você é tem amigos que seus filhos perceberão o quanto é divertido manter amizades, vão desenvolver as tão desejadas habilidades sociais.

6. Hoje em dia você não pode explodir de raiva e frustração na educação do(s) seu(s) filhos. Afinal de contas esse é um modelo negativo, prejudicial a saúde emocional, e você não pode se frustar porque você é adulto e já sabia que crianças davam trabalho. 

Acontece, gente, que esse modelo que nos pedem hoje, não é nenhum pouco humano. Na real, só Deus é capaz... Por isso tenho pensado, que mãe tenho sido, quais cobranças tenho feito a mim, a minha família, o que realmente vale a pena, o que eu preciso esquecer e ajustar. Não dá pra ser super, nem divina, posso ser só eu? Humana, cansada e imperfeita? E se der tudo certo, venho falar disso mais um pouco!

Beijos

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Lorax - tema de festa!!

Lembram que eu fui com a pequena no cinema para ver o Lorax? O filme é fofo, e olha essa festinha com o tema dele! Espero que tenham aproveitado o feriado! Bora começar tudo de novo!








terça-feira, 24 de abril de 2012

carros

Se você tem um menininho que é fã do Carros (filme da Disney), que tal preparar um lanchinho desses? A única coisa que não é comestível são os dentes. A idéia é do Meet the Dubiens.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

pense verde

Achei essa idéia em em blog familiar, lá a mamãe e o papai arregaçam as mangas e fazem do dia a dia uma folia inédita! Super indico a clicada, tem idéias de lanches de escola divertidos, atividades e artes muito interessantes... E amei essa idéia, sabe o potinho de iogurte que sempre tem na casa de todo mundo? Virou hortinha e ganhou ares de boneco. Vai dizer que não é super bacana de fazer em casa ou no apertamento?
Faz a visita e pega o passo a passo: Meet the Dubiens.


quinta-feira, 19 de abril de 2012

casa arrumada

Um acalento para a  insana rotina diária, com a palavra: Carlos Drumond de Andrade!

Casa Arrumada

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.


Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.

terça-feira, 17 de abril de 2012

papelão

Quem nunca ouviu alguém dizer: "poxa vida, paguei caro no brinquedo e a criança fica brincando com a caixa?", pois eu acho que essa mamãe levou a história ao pé da letra! O tema do aniversário foi: PAPELÃO! Isso mesmo, a decoração, os brinquedos, as lembrancinhas, e tudo o mais que ela teve direito foi tudo criado com papelão! Eu amei...










Via: Baby Boom